Entidades de classe criticam voto de sergipano contra Reforma Trabalhista
Política 21/06/2017 19h00 - Atualizado em 21/06/2017 22h12

Por Fernanda Araujo

Em votação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o senador por Sergipe Eduardo Amorim (PSDB) se posicionou contra a Reforma Trabalhista. Mesmo sendo integrante da base aliada do Governo Temer, ele e outros nove parlamentares rejeitaram o parecer do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), favorável à aprovação.

As entidades empresariais sergipanas criticam o senador e ressaltam que a reforma é necessária para modernizar as relações de trabalho, como também reduzir os excessos de causas trabalhistas na Justiça.

O projeto foi rejeitado por 10 votos a 9, mas ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em seguida, pelo plenário do Senado. Os empresários acreditam que a Reforma seja aprovada e esperam que, no plenário, Eduardo Amorim reveja o voto.

“Não se aguenta mais a indústria das causas trabalhistas, o Brasil tem hoje 98% de toda a causa trabalhista do mundo. Temos 14 milhões de desempregados, essa é a herança que estamos recebendo das pessoas que são contra a Reforma, fruto de uma política econômica desastrosa, de uma corrupção nunca antes vista na história e também da falta de modernização das relações de trabalho. A reforma não é a favor de empresário e nem contra trabalhador, isso é um discurso das centrais sindicais que vive do imposto sindical – eles arrecadaram 3,6 bilhões em 2016. Temos que abrir os olhos para o nosso país melhorar”, afirma Marco Pinheiro, presidente da Associação Comercial e Empresarial (Acese).

“A rejeição do projeto na Comissão de Assuntos Sociais do Senado não influi em absolutamente nada no seu andamento no Senado Federal. A comissão mais importante, a de Assuntos Econômicos, votou pela sua aprovação e a redação que vai para ser votada no plenário do Senado é a mesma aprovada na Câmara dos Deputados. Portanto, o posicionamento do senador não abala a confiança dos empresários na aprovação do projeto. Entendemos as razões pessoais do senador em votar contra o projeto, mas nos mantemos confiantes a respeito da aprovação na votação mais importante, que é a do plenário”, pondera Márcio Rocha, assessor de comunicação da Federação do Comércio (Fecomércio).

Já o Fórum Empresarial de Sergipe diz que todos foram surpreendidos com o voto contrário do senador, que foi decisivo para a reprovação da reforma. Fato ainda inusitado pela mudança de posição inesperada de Amorim, inclusive com os seus pares. 

"A expectativa da classe empresarial era pela aprovação da reforma em virtude de entendimentos e manifestação positiva do Senador Amorim. Nos resta esperar as novas discussões na plenária já que essa negativa não inviabiliza a reforma tão necessária a retomada de empregos e crescimento econômico no país fica agora a expectativa na reversão nesse processo inclusive com o apoio do nosso Senador é isso que espera a classe empresarial", ressalta a coordenadora do Fórum, Susana Nascimento.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Amorim disse que antecipou o posicionamento aos líderes do partido e que votou a favor da sua consciência. Ele acredita ainda que o momento para a reforma é equivocado diante da recessão da economia. “Não é o momento de votar retirada de direitos conquistados há décadas”, afirmou.

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