Pesquisa alerta para riscos dos empréstimos para negativados
15% dos inadimplentes já fizeram empréstimos para limpar o nome, e 75% admitem que não resolveram situação financeira, diz estudo
Economia 24/04/2017 19h55

A promessa é famosa: empréstimos concedidos rapidamente, sem muita burocracia, mesmo que o consumidor já esteja negativado. Muitas pessoas, sem conhecimento das elevadas taxas de juros, acabam aceitando esse tipo de crédito como última saída para conseguir pagar dívidas e honrar os compromissos financeiros. Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 15% dos brasileiros atualmente inadimplentes ou que estiveram nessa situação há no máximo doze meses já fizeram empréstimo com financeiras que fornecem crédito a negativados – número que aumenta entre quem possui 55 anos ou mais (23%).

Considerando os entrevistados que já fizeram esse empréstimo, o conhecimento sobre as empresas se deu principalmente pela distribuição de panfletos (27%), pela internet (20%) e por anúncios em TV, jornais e revistas (18%). Sete em cada dez entrevistados fizeram o empréstimo pessoalmente nas financeiras (73%) e 23% pela internet; e os principais motivos para a contratação é o fato de não ter conseguido crédito em outro banco (30%) e por ser a única forma encontrada para quitar as dívidas (25%).

Apenas 55% analisaram taxas de juros cobradas antes de pegar o empréstimo

A pesquisa mostra um fato alarmante: apenas 55% analisaram as taxas de juros cobradas e as demais características de outras linhas de crédito existentes antes da contratação. O objetivo do empréstimo, para 29% dos entrevistados, é o pagamento total de dívidas e para 18% foi para o pagamento total das pendências atrasadas e também comprar itens que precisava. Quanto à facilidade de se conseguir esses empréstimos, os entrevistados dividem-se: 35% consideraram fácil e outros 35% consideraram difícil.

“Em momentos de estresse é fácil tomar decisões apressadas, mas nem sempre a solução que parece ser mais fácil é a melhor”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “Muitos consumidores acreditam que o empréstimo é o único caminho que resta para sair do endividamento e limpar o nome; porém, a pesquisa mostra que as taxas de juros podem agravar ainda mais o problema. Em alguns casos, elas chegam a ser maiores até mesmo do que aquelas cobradas pelo atraso no pagamento de outras modalidades de empréstimo como o cartão de crédito e o cheque especial”, explica.

O estudo do SPC Brasil e da CNDL mostra que as informações passadas pelo atendente no momento da contratação do empréstimo são mais voltadas ao valor total com os juros embutidos (81%), o valor máximo possível para as prestações (74%) e formas de pagamento (74%). Já as informações sobre o valor dos juros cobrados foram dadas somente em 60% dos casos.

75% admitem que o empréstimo não resolveu a situação financeira

De acordo com o levantamento, as principais formas de pagamento das parcelas dos empréstimos são o desconto em folha (28%), prestações em carnês ou crediário (25%) e parcelas no débito automático (25%). Em 72% dos casos, os entrevistados afirmaram estar com o pagamento do empréstimo em dia e 25% em atraso, sobretudo porque a renda da família diminuiu (44% dos que atrasaram).

O educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli, alerta: “O consumidor deve evitar a todo custo o empréstimo para negativados, sob o risco de se afundar ainda mais em dívidas impagáveis. Desfazer-se de um bem, ir em busca de trabalhos extras e rever os hábitos de consumo podem ser medidas mais eficazes, ainda que exijam certa dose de sacrifício.”

O estudo revela que sete em cada dez consumidores (75%) que optaram por este tipo de crédito admitem não ter resolvido a situação financeira. “Percebe-se que a maior parte dos consumidores entende que o empréstimo terminou por ser prejudicial”, afirma Vignoli. Cerca de 26% continuam com o nome sujo e ainda precisam pagar as parcelas – aumentando para 37% entre as mulheres.

Fonte: CNDL

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