Estudo aponta agravamento da situação econômica de Sergipe
Economia 24/07/2017 14h00 - Atualizado em 24/07/2017 14h55

Por Fernanda Araujo

A economia sergipana completa seis anos de declínio. É o que aponta um estudo, o Anuário Socioeconômico de Sergipe 2017, realizado pelo Departamento de Economia da Universidade Federal de Sergipe (UFS) em parceria com o Tribunal de Contas do Estado (TCE), apresentado a gestores, parlamentares e servidores públicos nesta segunda-feira (24).

O levantamento aponta que em 2012 a economia do estado, como em todo o país, começou a dar sinais de recessão; mas foi em 2015 e, principalmente, 2016 que a crise ficou ainda mais acentuada. No final do ano passado, Sergipe chegou a 16% em taxa de desemprego, a maior do Nordeste e do país. A indústria de transformação e a de petróleo, carros-chefes da economia do estado, sofreram queda nos últimos anos.

A queda na produção do petróleo no estado, de 2002 a 2016, para os pesquisadores, se deve ao plano de desinvestimento da Petrobras, que levou ao adiamento de alguns projetos, entre eles o que previa a duplicação da capacidade de produção de petróleo e gás no estado em 2018 a 2020. Esse estudo, que traça indicadores socioeconômicos do estado e municípios, vai servir como subsídio para elaboração de estratégias e políticas públicas para reverter o quadro.

“A grande discussão não são os dados em si, que são públicos, mas sim utilizá-los de maneira eficiente, sem ideologia, para que Sergipe possa sair dessa crise aguda. O anuário traz certos indicadores, mas como resolver é uma questão de opção política que o estado vai fazer. Qualquer estado depende do que vai acontecer com o Brasil, a gente passa por uma crise de governabilidade e governança, agora Sergipe também tem as suas questões particulares, elas precisam ser pensadas. Não existe solução de curto prazo, todas as soluções são de médio e longo prazos", ressalta o pesquisador e um dos coordenadores do Anuário, professor Luiz Rogério de Camargo.

O estudo também faz uma projeção sobre o crescimento do PIB dos últimos dois anos, que ainda foi maior em relação ao país. “De 2015 nós estimamos em 5,8%, para 2016 4,6%. Mas, em termos gerais, demonstra que a economia não está crescendo. O Nordeste, como é muito dependente de transferência e de política de salário mínimo, está sofrendo mais, a crise bate muito mais forte”, acrescenta o professor.

Para o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), Augusto Carvalho, a análise dos dados é importante para a elaboração de estratégias que tirem o estado do vermelho. “Qualquer informação técnica tem que ser pública, se é do estado interessa a todos. É desejável que o poder público faça parcerias, escute bastante, veja ideias e debata, certamente a partir daí podem surgir boas ideias”, diz.

Segundo o presidente do TCE, conselheiro Clóvis Barbosa, técnicos do órgão também deverão realizar estudos sobre os aspectos socioeconômicos do estado e dos municípios, como na área da saúde, educação e gestão fiscal. O documento será apresentado aos gestores.

“Também vamos dar nossa contribuição. Espero que Sergipe possa se aprofundar nessa avaliação e que o mais rápido nós possamos fazer um trabalho em médio prazo para que estado volte ao seu crescimento. Estamos ruins de educação, de saúde, de gestão fiscal, em contribuição para o PIB nacional, em vários aspectos, é desolador”, lamenta.

Confira aqui o Anuário publicado pelo Grupo de Pesquisa em Análise de Dados Econômicos e do grupo de estudos Café com Dados.

Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

 

 

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