Velório de Araripe Coutinho reúne amigos e admiradores consternados
Cotidiano 09/12/2014 17h22

Por Aline Aragão

O velório do poeta e jornalista Araripe Coutinho, que morreu vítima de uma insuficiência respiratória nas primeiras horas de hoje (9), está sendo realizado no velatório Osaf da rua Itaporanga, no Centro de Aracaju (SE). O sepultamento será realizado nessa quarta-feira (10) às 9 horas, no Cemitério São Benedito, no bairro Santo Antônio.

Ainda surpresos com a notícia, familiares, amigos e admiradores do eterno “Poetinha”, como era chamado, não paravam de chegar. A cantora Amorosa, amiga muito próxima de Araripe, estava visivelmente abalada e não quis falar com a imprensa. Mas muitas pessoas queriam deixar um depoimento, contar uma história com o poeta, falar de uma lembrança, deixar um último registro.

Para o transformista Mirella Brasil, Araripe foi o maior poeta que Aracaju já teve. “Tem 30 anos que conheço Araripe, e ele deixará um vazio imenso, não só para Sergipe, mas para o Brasil”, disse.

A também amiga Ana Badiali, disse que Araripe vinha sofrendo com alguns problemas de saúde, mas que a notícia da morte pegou todos de surpresa. “A gente estava muito próximo por conta da organização da festa de aniversário do irmão dele, aí vem o destino e nos prega essa peça”, lamentou.

O publicitário Eduardo Gois conheceu o poeta ainda no ensino fundamental, no colégio Atheneu, e disse que, naquela época, ver um menino de 10, 12 anos falando em poesia e que iria escrever um livro era coisa de outro mundo. “Minha mãe foi professora dele, e ficamos muito próximos. Ele vivia com um caderninho escrevendo poemas. Araripe estava à frente do nosso mundo”, disse.

Para o radialista Fred Ferreira, Araripe se destacou por conseguir ser ele mesmo em uma sociedade hipócrita.  “Hoje o céu está purpurinado. Vamos lembrar de Araripe como ele era, extravagante, alegre, divertido. Onde ele chegava fazia festa”, declarou.

Ao chegar ao velatório, o professor universitário Denison Ventura Sant’Ana se aproximou do caixão e com lágrimas nos olhos tirou do bolso uma gravata borboleta, e colocou no pescoço de Araripe, enquanto dizia “Aqui está sua gravata meu amigo”.

Denison contou que era costume trocar gravas e lenços com Araripe, e que na semana passada ele tinha pedido essa gravata para usar em uma festa, e por um desencontro de informações, o poeta foi à festa sem a gravata. “Ele me disse que queria essa gravata, mas eu não estava em casa e, no momento em que ele foi buscar, a empregada tinha saído”, lamenta.

O professor é conhecedor e admirador da obra do poeta e foi ele quem revisou todas os livros de Araripe. Para Denison, Araripe era a maior expressão da poesia atual. “A coletânea de Araripe fica em minha cabeceira, uso muito os poemas dele em minhas aulas, quando quero falar sobre relacionamentos e conflitos sociais”, disse Ventura, ao encerrar com um verso de seus poemas preferidos do poetinha: “Tudo está em xeque, até o amor”.

Fotos: Aline Aragão/F5 News

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