Veja o que fazer se for vítima de crimes cibernéticos
Em menos de três anos, Aracaju já registrou mais de 700 casos
Cotidiano 22/08/2015 06h41

Por Will Rodrigues

A ideia de que a internet é terra sem lei já não faz mais tanto sentido. Em questão de segundos é possível descobrir a localização exata de onde você está acessando essa matéria, por exemplo. Isso não significa que estamos sendo vigiados o tempo todo, mas tudo o que fazemos na rede fica registrado e pode trazer prejuízos. O problema é que nem sempre as pessoas compreendem isso, e os casos de crimes praticados por meio de um PC, um smarthphone ou tablet crescem na mesma proporção em que os recursos do mundo virtual avançam.

A Delegacia de Crimes Cibernéticos de Aracaju funciona a menos de três anos e já registrou mais de 700 denúncias de pessoas que foram alvo de criminosos escondidos atrás de uma tela. Recentemente, o senador Eduardo Amorim (PSC) e o radialista Toni Xocolate foram vítimas dos crimes virtuais. A delegada Viviane Pessoa salienta que 130 inquéritos policiais estão em andamento e orienta como a vítima deve proceder.

“São muitos casos relacionados à invasão em redes socais e postagens indevidas. O mais importante é que a vítima não demore em ir até a Delegacia. Ela deve colher provas, fazendo o print (captura de tela) da tela, anotando o endereço da URL (veja como localizar). Assim, vamos oficiar os provedores para que eles forneçam os dados da máquina através do IP, desse modo, descobriremos de onde partiu a ação criminosa”, explicou a delegada.

A delegada destacou que a legislação contra esse tipo de crime tem avançado, a exemplo da chamada Lei Carolina Dieckmann, criada em 2012 e classificada como primeiro passo para a regulamentação da internet. Contudo, boa parte dos delitos cometidos na net se enquadra em crimes comuns, como estelionato, pornografia infantil, crimes contras a honra (calúnia, difamação e injúria) e mais recentemente, o pornorevenge, motivado por vingança, a pessoa tem fotos e vídeos íntimos divulgados na rede por pessoas com as quais ela já se relacionou que querem causar constrangimento.

“Muita gente acredita que a internet não possibilita a investigação, que a lei não alcança esses crimes, mas elas estão enganadas. Tudo na internet deixa vestígios e através deles a polícia trabalha”, observa Pessoa.

Para a delegada, o problema do mundo virtual não são as plataformas, mas sim, a forma como os recursos disponíveis estão sendo utilizados. “As pessoas ainda são vulneráveis. O avanço (tecnológico) não foi acompanhado de um trabalho educativo sobre o bom uso da ferramenta. Quem utiliza não tem a exata dimensão dos riscos que correm quando disponibilizam informações de cunho pessoal na rede”, alerta.

A internet oferece uma falsa sensação de liberdade e domínio e se por um lado, privacidade é quase uma utopia quando se está em um ambiente virtual, a delegada salienta que há meios de se proteger.

“É preciso criar senhas seguras, além disso, as próprias redes oferecem a possibilidade de bloquear o acesso de pessoas estranhas a fotos e informações pessoais. Contudo, deve-se evitar a divulgação de informações relacionadas à rotina e o comportamento”, recomenda Viviane.

Ainda assim, ninguém está totalmente seguro e pode acabar se tornando vítima. Em Aracaju, a Delegacia de Crimes Cibernéticos funciona no prédio da Delegacia Plantonista, localizada na Rua Laranjeiras, 960, centro.

*Colaborou Fernanda Araujo

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