"Veio com conversinha que eu não poderia encostar a mão porque é gay"
"Fui para cima e bati mesmo", diz patrão que agrediu funcionário Cotidiano 31/10/2014 15h45Por Aline Aragão
Um mal entendido entre um ex-patrão e um dos seus empregados terminou em pancadaria em uma rede de loja na capital sergipana. O universitário Silas Moraes, de 24 anos, conta que foi até à loja para receber o pagamento referente aos dias trabalhados, os dois discutiram e o ex-patrão o agrediu com socos e chutes. O fato aconteceu na última segunda-feira (27).
O jovem conta também que passou pouco tempo no emprego, cerca de 12 dias e que ainda não tinha assinado a carteira de trabalho, e teria sido demitido sem motivo. Ao retornar à loja para receber os dias trabalhados, não concordou com o valor pago e questionou ao ex-patrão. “Ele não gostou da minha insistência e começou a me agredir”, conta.
Silas disse ainda que no momento da agressão havia cerca de 10 pessoas na loja, mas ninguém fez nada para ajudá-lo. “Eles só se moveram depois que ele saiu para pegar um martelo, nessa hora eu consegui me levantar e corri para o banheiro, foi quando ouvi as pessoas falando para ele parar; mas antes ficaram só olhando”, lembra.
O jovem foi à Delegacia Plantonista (Deplan), onde registrou a ocorrência, e de lá, foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), para fazer os exames de corpo de delito. Silas explica que precisou retornar ao IML outras quatro vezes para consegui fazer o exame. “Fui na segunda-feira mas como já passava das 18h, não tinha mais ninguém para fazer, nos outros dias, as respostas eram as mesmas, ou estava cheio ou não tinha ninguém para fazer o exame, me sentir excluído”, lamenta o jovem.
Com o laudo na mão e já orientado por um advogado, o universitário ingressou com uma ação contra o ex-patrão. “Ele acha que pode sair por ai batendo em todo mundo, se depender de mim ele vai pagar”.
Silas disse ainda que voltou a encontrar com o ex-patrão dias após a agressão em um shopping de Aracaju e foi novamente ameaçado. “Ele pensa que vou ficar com medo e me calar, mas não farei isso, não posso me acovardar e deixar que ele agrida outras pessoas, ele é um louco”, disse.
O F5 News procurou o ex-patrão, identificado como Thiago Nunes, que deu outra versão à história, porém, assumiu ter agredido o ex-funcionário. “Sou homem e não tenho sangue de barata”, disse.
Nunes explicou que demitiu o jovem porque ele estava fazendo retiradas do caixa sem informar, as retiradas eram como um empréstimo, que deveria ser devolvido no final do mês, “o problema é que ele fazia as retiradas sem pedir permissão, quando eu ficava sabendo já tinha feito”.
Segundo o Thiago, Silas foi até uma das lojas para acertar as contas, mas não concordando com o valor pago, passou a xingar o ex-patrão de ladrão e caloteiro e exigir que fosse pago um valor maior. “Ele veio com a conversinha de que eu não poderia encostar a mão nele porque é gay, e começou a me xingar. Fui para cima e bati mesmo. Me chamar de ladrão na frente de tantas pessoas, isso me fez perder a cabeça”, relata.
O empresário se defende dizendo que não é homofóbico, e que apenas perdeu a cabeça com as provocações. “Nas minhas lojas tem gente de todo tipo, cores e opções sexuais, o que importa pra mim a honestidade e o trabalho de cada um, tenho mais de 10 testemunhas de que foi ele que me enfrentou”, explica.
Segundo a advogada Lilian Jordeline, especialista em direito do trabalho e processo trabalhista, qualquer funcionário - com carteira assinada ou não - que não concorda com o valor pago na recisão, pode recorrer na Justiça do Trabalho, para que seja feito uma revisão no valor.
Nesse caso específico, onde o trabalhador não tinha a carteira assinada, é tratado como “situação precária”. Ele deve procurar a Justiça do Trabalho para pleitear que a Justiça entre com uma ação determinando que a empresa assine a carteira, e depois pague todas as verbas rescisórias referentes ao período de trabalho, com base no que está afixado na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
A advogada diz ainda que o trabalhador agredido pode levar provas de que houve agressão para que a empresa pague uma indenização por danos morais.
Foto: Reprodução Facebook

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos
