Usuários de ônibus reclamam de abrigos e terminais precários
SMTT diz que está em andamento licitação para as devidas melhorias Cotidiano 29/04/2013 15h30Por Elisângela Valença
Abrigo. Segundo o dicionário Michaelis, se trata de um substantivo masculino e uma palavra que vem do latim apricu. Dentre seus significados, estão: 1 – Tudo que serve para abrigar das intempéries; 2 – Algo que oferece proteção ou refúgio contra exposição, dano físico, ataque, observação, perigo etc. ; 3 – Proteção; A. público: abrigo contra o sol e a chuva, nos pontos de espera de veículos coletivos.
Mas, contrariando as definições, nada disso é encontrado nos pontos de ônibus de Aracaju. Em alguns locais da cidade, é possível encontrar toda a estrutura, mas sem cobertura; em outros, somente pilastras; e em muitos outros, nem isso.
É o que acontece no conjunto Horto do Carvalho, no bairro Aruana, como informou uma senhora que não quis se identificar e conversou com a reportagem em outra região de Aracaju. “Tem um ponto do ônibus que fica na lagoa, mas as pessoas só ficam na porta da minha casa, porque tem sombra e fazem meu canteiro de banquinho”, reclamou.
“Acho que alguém um dia definiu que ali na lagoa era um ponto de ônibus e a informação se espalhou, porque nunca teve nada, nem cobertura, nem sequer uma placa identificando que era ponto de ônibus desde que entregaram o conjunto, em 2004”, acrescentou.
A jornalista Caroline Sousa, que mora no bairro São Conrado, chega a se sentir privilegiada. “Sou sortuda porque os pontos de ônibus perto da minha casa têm cobertura”, disse. Mas o comentário não passou de ironia. “A cobertura não serve de muita coisa porque, quando chove, todo mundo fica molhado do mesmo jeito”, comentou.
A auxiliar de serviços gerais Jussara Melo não desfruta da mesma ‘sorte’ de Caroline. “Nem o ponto de minha casa, nem o do trabalho tem cobertura. Fica todo mundo pegando sol e chuva, exposto ao tempo”, disse ela, que mora no bairro Santos Dumont e trabalha no bairro São José.
Com a chuva, a cobertura dos terminais de integração tampouco cumpre sua função. Pessoas ficam nos terminais com sombrinhas e guarda-chuvas abertos, com o terminal encharcado, sem um espaço que realmente ofereça abrigo.
“O usuário de ônibus de Aracaju está completamente abandonado”, disse Demétrio Varjão, membro do Movimento Não Pago, que reivindica melhorias e auditoria no sistema de transporte coletivo, congelamento da passagem de ônibus e licitação para o transporte público.
“A SMTT [Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito] só tem nos oferecido promessas, desde gestões anteriores, de que estão estudando, planejando mudanças e melhorias, mas até agora nada”, criticou Demétrio. “Enquanto isso, 5% do valor da tarifa de ônibus vai para a SMTT como taxa de gerenciamento de abrigos e terminais, que equivale a cerca de 800 mil reais por mês que, pelo visto, não tem sido usado”, acrescentou.
Segundo Flávio Vasconcelos, coordenador de Comunicação da SMTT, cerca de 90% dos pontos de ônibus estão sem abrigos ou com estrutura parcial e sem condições de uso. “Tem lugares na cidade que as pessoas sabem que tem um ponto de ônibus porque tem uma aglomeração de gente”, comentou.
De acordo com ele, a SMTT já vem trabalhando na reforma e reconstrução de cerca de 400 pontos de ônibus em Aracaju. “Estamos em processo de licitação. Como esta é uma fase burocrática e demorada, a população ainda não vê uma ação concreta, mas tudo isso já está em andamento.
Com relação aos 5% do valor da tarifa que vão para a SMTT, ele explicou se tratar da Taxa de Gerenciamento de Ônibus (TGO), que é usada para o sistema como um todo e que não vem sendo paga desde janeiro deste ano. “Nos últimos meses de 2012, o valor repassado não chegou nem a 25% do que deveria ser”, informou.
Segundo a assessora de Comunicação do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp), Alessandra Franco, havia realmente um débito do sindicato com a gestão anterior da SMTT. “Este débito foi negociado e, desde fevereiro deste ano, a TGO está sendo paga em dia, juntamente com as parcelas do débito negociado”, explicou Alessandra.
Fotos: Fernanda Araújo (foto 01), Movimento Não Pago e Fórum em Defesa da Grande Aracaju

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