Travesti é assassinada no centro de Aracaju
Bárbara estava estagiando no Huse e pretendia deixar prostituição Cotidiano 25/05/2015 16h50Por Aline Aragão
“Governo do Estado precisamos ser escutados, não somos apenas executores de campanhas de prevenção às DST/AIDS”.
O apelo acima foi feito pela presidente da Associação de Travestis e Transgêneros de Aracaju (Astra) - Direitos Humanos e Cidadania, Tathiane Araújo, em revolta à morte de mais uma travesti no Centro de Aracaju. Bárbara Sobré, 29 anos, foi encontrada morta próximo ao ponto onde trabalhava - na esquina das Ruas Maruim com Pacatuba, na madrugada desta segunda-feira (25). Segundo Tathiane, ela foi mais uma vitima da violência da cidade e do descaso do Poder Público. “Recebi a ligação de outras colegas e fui correndo pra lá, e quando chegamos, ela já estava morta”, disse.
Segundo informações,Bárbara foi morta porque o cliente se negou a pagar o programa. “Os dois entraram em luta corporal, e para forçá-lo a pagar, ela segurou a chave do veículo; para reaver a chave o cliente a perfurou no abdômen e infelizmente ela não resistiu ao ferimento”, explicou Thatiane.
De acordo com a presidente da Astra, situações como essa, em que o cliente se nega a pagar depois do programa, são corriqueiras, mas pouco se fala sobre o assunto. “Todo profissional que trabalha quer receber o seu dinheiro, porque tem que ser diferente com a gente?”, questiona.
Tathiane reclama também da atuação policial no centro da cidade e na delegacia plantonista. “Eles não nos respeitam, não olham pra gente como deveriam. Ninguém é preso por deixar de pagar um programa e quando acontece é solto em seguida, faz tempo que tentamos discutir com a SSP a situação e não conseguimos”, lamenta.
A presidente da Astra lamenta a morte de Bárbara e diz que ela estava muito feliz por está estagiando como auxiliar de enfermagem no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), e pretendia até o final do ano, deixar o trabalho de profissional do sexo, por conta da violência noturna e o descaso da polícia. “Ela era muito esforçada e como muitas travestis, tinha medo de ser rejeitada; se não fosse essa fatalidade, hoje a noite ela iria começar o curso de técnica em enfermagem para aperfeiçoar os conhecimentos”, disse.
De acordo com a Astra em 2014 o número de denúncias de violência física sofrida por travestis e transexuais subiu de 28 para 51. Indignada como a situação, a presidente critica os órgãos públicos sobre o fim da Secretaria de Direitos Humanos, e diz que isso foi um retrocesso às políticas de governo. “Com o fim da secretaria, nada mais avançou em relação à política de segurança pública para populações vulneráveis e de inclusão social”, disse.
Araújo completa dizendo que feliz era o tempo em que secretários de Estado da Inclusão, Direitos Humanos e Saúde estreitavam o diálogo e visualizavam a população LGBT, em especial de travestis e transexuais,como cidadãos de direito.

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