Transporte intermunicipal nunca foi licitado em Sergipe
Presidente da Coopertalse reclama de atuação de empresas clandestinas
Cotidiano 12/07/2013 10h06

Por Marcio Rocha

Os usuários do transporte suburbano e intermunicipal de Sergipe reclamam bastante das condições de conservação em que alguns ônibus circulam, levando passageiros para os 75 municípios do estado. As principais queixas da população são relacionadas aos horários, superlotação e velocidade.

A quantidade de veículos destinados para os municípios é, segundo informações de um cooperado da empresa Coopertalse, de acordo com o fluxo de passageiros e a distância do município para Aracaju, ponto principal de partida do público que se utiliza do serviço de transporte rodoviário.

O operador de PDV Antônio Silva reclama que para se deslocar para a cidade onde seus parentes residem é necessário muita paciência e coragem para encarar o risco no transporte e a demora entre os veículos.

“Para poder ir lá pra Propriá, temos que usar a alternativa dos táxis, porque não temos transporte adequado. Só roda a Coopertalse e mesmo assim com muita demora. É difícil depender do transporte rodoviário”, reclamou.

Segundo informações coletadas pelo Portal F5 News, as linhas de transporte rodoviário não passaram por processo licitatório e as empresas estão atuando de maneira não regulamentada. As linhas foram distribuídas, mas não houve concorrência pública para a destinação das empresas que operam nos trajetos. A fiscalização dos veículos também é feita de forma precária. Vários carros praticam superlotação de passageiros e também tráfego em alta velocidade pelas rodovias, principalmente as estaduais, que não possuem fiscalização constante.

“Temos um problema sério que é andar em pé nos ônibus que cabem poucas pessoas e são muito apertados. Além disso, os motoristas andam a toda e nós vamos expostos a risco de acidente a qualquer momento”, disse a comerciária Paula Neves.

De acordo com o presidente da Coopertalse, Valtenes Porto, várias cooperativas estão atuando de forma ilegal no sistema de transporte de passageiros em Sergipe. Além das empresas de ônibus que faziam o transporte, apenas a Coopertalse, Cooagreste e Coopervan tem autorização de lei estadual para trabalhar com o transporte de passageiros nas linhas intermunicipais.

Valtenes informou que os 250 cooperados da Coopertalse estão regulares tanto na questão de velocidade em viagem, bem como na lotação de passageiros. Respeitando os limites impostos pela lei.

“Nossos motoristas respeitam a lei e são fiscalizados. Temos controle sobre nossos cooperados que se fiscalizam também uns aos outros, para evitar problemas. Pois se um cooperado é multado, quem paga somos todos nós que fazemos parte da cooperativa. Agora, existem cooperativas que estão atuando de forma ilegal. Qualquer um está juntando e fazendo uma cooperativa e até mesmo copiando a marca da nossa, para se fazer confundir com a Coopertalse. Um exemplo é uma tal de Unicoop, que não tem autorização para fazer o transporte de passageiros”, afirmou o presidente da Coopertalse.

Porto destacou que existem sérias dificuldades enfrentadas pelos motoristas que fazem parte das cooperativas legalizadas, em relação à fiscalização feita pelas autoridades legais. Segundo ele, a fiscalização da Polícia Rodoviária Federal é eficaz. Entretanto, nas rodovias estaduais a fiscalização, feita pela Polícia Militar, é precária. Também confirmou que nunca houve processo de licitação para o transporte rodoiário.

“As empresas são ilegais e desequilibram o sistema. Nunca houve licitação para transporte municipal, nem intermunicipal em Sergipe. Quem a lei permite que execute o serviço são as regulares. As irregulares prejudicam os trabalhadores e praticam excessos que são atribuídos a nós sem que tenhamos culpa”, comentou, confirmando que o transporte rodoviário em Sergipe nunca foi licitado.

Para o presidente da Coopertalse, as opiniões das pessoas ouvidas pelo Portal F5 News são diferentes da realidade praticada pela cooperativa. Contudo, outros veículos de outras empresas circulam e podem estar praticando esse tipo de infrações e irregularidades. Valtenes disse que os veículos são equipados com tacógrafos e em caso de sinistro, todos são averiguados para comprovar o trânsito em velocidade adequada.

Imagem: Humberto Alves (Arquivo F5 News)

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