Trabalhadoras sergipanas pedem igualdade e aposentadoria digna
Dia Internacional da Mulher foi marcado por protestos na capital sergipana
Cotidiano 08/03/2017 12h19 - Atualizado em 08/03/2017 14h12

Por Fernanda Araujo

Conquistando com dificuldades o lugar que merecem no mercado de trabalho, elas se dividem entre enxergar motivos para protestos ou para comemoração hoje (8), Dia Internacional da Mulher. Manifestações estão marcadas em 48 países, incluindo o Brasil. A ideia é que as mulheres parem de trabalhar ou de fazer as tarefas domésticas, mesmo que seja apenas por algumas horas.

Em Aracaju, mulheres trabalhadoras participaram de uma caminhada da praça Camerino, na avenida Barão de Maruim, até o Sergipe Previdência, contra a Reforma da Previdência e em reflexão aos vários desafios que elas enfrentam atualmente, como desigualdade salarial e o preconceito. Elas enxergam o atual cenário trabalhista como prejudicial e que atinge os seus direitos.

Tâmara Emilly, de 30 anos, é assentada e educadora popular. Como trabalhadora no campo ela almeja continuar educando e alfabetizando as pessoas, mas se vê afetada pela reforma trabalhista e com dificuldades em ter acesso ao mercado de trabalho.

“A gente sempre teve dificuldade em ter trabalho, é falta de emprego, as mulheres tem dupla jornada, horário no trabalho e em casa, e aí a gente nunca consegue associar, e a disponibilidade de emprego para as mulheres é sempre com dificuldade e isso afasta a mulher. Com o desemprego em alta, a tendência é que o espaço da mulher seja cada vez mais reduzido”, afirma.

A agricultora familiar, Maria Antônia, de 52 anos, afirma que a situação da mulher no campo é precária, além de terem que lutar contra os baixos salários e o racismo no trabalho. “Nós só temos o direito a trabalhar e não a progredir. O nosso futuro, se não lutarmos todos os dias, é ficar para trás e não vencer na vida. No mercado de trabalho nós temos espaço, porém com muita luta. Nós queremos mais emprego, mais igualdade social, dignidade, um futuro melhor”, diz.

As mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens devido à dupla jornada, que inclui tarefas domésticas e trabalho remunerado. Apesar da taxa de escolaridade das mulheres ser mais alta, a jornada também é, segundo o estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em 2015, a jornada total média das mulheres era de 53,6 horas e a dos homens, de 46,1 horas. Mais de 90% das mulheres declararam realizar atividades domésticas; os homens, em torno de 50%.

A participação de mulheres em cargos de chefia é outro desafio, entre os obstáculos que as impedem de assumirem papéis de destaque no mercado de trabalho, para elas são empresas que preferem homens a mulheres que podem engravidar.

“As empresas preferem contratar homens porque não vão engravidar, não vão ter o período menstrual. A falta de políticas públicas também afasta a mulher de ingressar no mercado de trabalho, de ter uma formação, muitas não tem com quem deixar os filhos, tem o trabalho em casa, não tem apoio da família. Mas, as mulheres estão mais conscientes e atentas dos seus direitos”, relata Maíra Santana de Jesus, 23, formada em Direito e participante do Movimento Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste.

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