Terceira idade: mudança cultural favoreceu propagação da Aids
Cotidiano 26/05/2013 07h50

Por Fernanda Araujo

Aquele senhor com a bengala e com as costas curvadas, aquela senhora sentada na cadeira de balanço fazendo crochê, os amigos jogando dama no meio da praça, essa era a imagem dos idosos, que vem gradativamente mudando ao longo dos anos.

O comportamento e perfil dos idosos se altera tanto pela visão de qualidade de vida, conquistada sobretudo pela atividade física, quanto no que se refere à sexualidade. É o que conta o médico Almir Santana, especialista em Saúde Pública de Sergipe.

Mais ativos sexualmente, como dito por ele em uma entrevista ao F5 News no ano passado, (Leia matéria Idosos estão mais ativos sexualmente e vulneráveis a Aids, diz médico) a terceira idade tem buscado uma outra face, ainda desconhecida pela maioria das pessoas. De acordo com Almir Santana, mais independentes, os idosos rejeitam rótulos, o estereótipo segundo o qual devem ficar em casa, alheios aos movimentos da vida social.

Dentre as mudanças percebidas na nova geração da terceira idade, o médico aponta a vontade de conhecer novas experiências, como o ‘ficar’ (relação amorosa sem compromisso), o querer tudo para agora, o bem-estar na satisfação sexual, independência, adesão à tecnologia, às viagens e às novas culturas. Além disso, os idosos estão se exercitando mais, trabalham e encontram tempo até para noitadas. “Em alguns locais do nosso país, pesquisas mostraram que 47% dos idosos têm vida sexual ativa e 26% namoram ou têm ‘ficantes’”, afirma.

Os medicamentos, por sua vez, de impotência sexual nos homens e de reposição hormonal para mulheres, contribuem para o aumento desse desempenho sexual. No entanto, enquanto essas mudanças acontecem, aparecem também os riscos à saúde, como o crescimento dos casos de Aids nos últimos anos.

Almir Santana, também coordenador do Programa Estadual de DST/Aids de Sergipe, fala que, dos 2.857 casos registrados até o mês de dezembro de 2011 no estado, 70 são da faixa etária acima de 50 anos. E vem crescendo. “Atualmente já são 3.130 casos da doença. Notificados desde o ano de 1991 (quando surgiu o primeiro caso em idosos), são 66 casos do vírus na faixa etária de 60 a 69 anos e 10 casos entre 70 anos acima”.

Ele completa ainda que a vulnerabilidade física e psicológica, e a rejeição ao uso de preservativos ainda são as barreiras que fortalecem a infecção pelo HIV. “Não são dados alarmantes, mas é muito preocupante tanto aos idosos quanto a toda a população. Os 3.130 casos refletem principalmente nas pessoas casadas e em situação de pobreza. Nos idosos a maioria também é de pessoas casadas e heterossexuais”.

No país

Um levantamento feito pela Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo aponta que no país houve um aumento em 400% no número de idosos infectados pelo vírus (só em SP o crescimento foi de 26%), 75% são casados e passaram o vírus para suas esposas. Só no estado mais populoso do Brasil, foram 253 novos casos de AIDS em pessoas acima de 60 anos registrados em 2001, em 2011 o número chegou a 318 casos.

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