Suspeita de Ebola em Rosário não passou de boato
Quando informação vazou, a possibilidade já estava descartada
Cotidiano 02/11/2014 09h35

Por Elisângela Valença

A população sergipana, especialmente da cidade de Rosário do Catete, tomou um grande susto ontem (1º). Circulou pela cidade que um homem tinha dado entrada na Clínica de Saúde da Família 24 horas da cidade com suspeita de Ebola. Mas, segundo a secretária de Saúde do município, Edylênia Gonçalves Pereira, tudo não passou de um boato desagradável. “Alguém mal intencionado soltou esta informação. O mais triste foi que até meios de comunicação espalharam a informação sem nem checar se era verdade assustando minha cidade”, reclamou.

De acordo com ela, o andarilho Rodrigo Alberto Fernandes, natural do Chile, passou mal na entrada da cidade e a população o levou para a casa do padre, pois ele não fala português. “O padre o levou para a clínica conveniada pela Prefeitura. Lá, ele fez todos os exames e foi diagnosticada uma diarreia, uma infecção alimentar, nem febre ele teve”, disse a secretária.

Mas, quando ele já ia ter alta, disse que teve contato com dois africanos, um da Nigéria e outro da Angola. “Estas não são áreas de contaminação, mas o médico de plantão me comunicou e cumpriu o protocolo”, contou a secretária. “Fechamos o plantão, repetimos todos os exames e comunicamos à Secretaria Estadual de Saúde. Mesmo já sabendo que não era Ebola, alguém fez circular a informação de ‘suspeita de Ebola’”, disse.

“Continuamos com o protocolo. Ele seria removido para o Huse [Hospital de Urgências de Sergipe], mas recebemos a orientação de removê-lo para o Hospital Regional de Nossa Senhora do Socorro e o levamos para lá”, contou a secretária.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que o paciente segue em observação no Hospital Regional de Socorro com suspeita de Dengue. Ele passará por exames complementares e continuará sendo monitorado pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (CIEVS/SES), sob orientação do Ministério da Saúde, mas a possibilidade de Ebola está descartada.

A SES informou que, em caso de suspeita, o paciente já fica isolado, temporariamente, na unidade em que der entrada, seja ela uma Unidade Básica de Saúde, um Hospital ou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 horas), conforme orientação do Ministério da Saúde, e, a depender dos sintomas e do quadro geral, ele será transferido para o HUSE, que é a unidade de referência para o Ebola no Estado, ou direto para o hospital de referência nacional que é o Instituto Nacional de Epidemiologia Evandro Chagas do Rio de Janeiro (Hospital da Fiocruz). Esse procedimento é definido de imediato junto com CIEVS/SES e o Ministério da Saúde, a partir da suspeita e do estado geral desse paciente.

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