Superbactéria: HUSE recomenda que população evite a unidade
Situação de emergência pode durar 90 dias Cotidiano 08/06/2015 12h30Da Redação
O Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), continua em alerta e adotando medidas para o controle da infecção hospitalar por uma superbactéria, como F5 News mostrou no final da semana passada. Três pacientes internados em duas Unidades de Terapias Intensivas (UTIs) foram diagnosticados com a bactéria multirresistente conhecida como klebsiella ou KPC no último dia 27 de maio.
As áreas foram isoladas e a recomendação da Superintendência do Hospital é que a população procure o HUSE apenas em casos de emergência, buscando a rede de atenção básica para atendimentos mais simples. A previsão é de que a situação seja normalizada em 90 dias, até lá, uma UTI emergencial foi montada na sala de internamento pós-cirúrgico.
Nesta segunda-feira (8), a Secretaria de Estado da Saúde (SES) divulgou uma nota técnica assinada pela Infectologista chefe SCIH/NSP, Iza Lobo. Confira:
Estamos enfrentando a emergência de uma nova espécie de bactérias multirresistentes nas UTIs do Huse. Trata-se da Klebsiella pneumoniae resistente a carbapenemicos (imipenem, meropenem) e também a polimixina. Esta nova espécie junta-se ao Acinetobacter baumannii e a Pseudomonas aeruginosa multirresistentes que já há alguns anos dominam as UTIs do Huse, bem como do Brasil e do mundo.
O avanço da multirresistência é um processo evolutivo inexorável, contudo pode ser contido e retardado pelo uso racional de antibióticos e medidas tão simples como a higienização correta das mãos com álcool-gel ou água e sabão antes e após tocar no paciente e nos utensílios e materiais próximos. Esta é a medida mais efetiva.
Identificar pacientes colonizados e infectados e colocá-los sob precaução de contato é ação fundamental para conter a disseminação.
Bactérias multirresistentes avançam em todo o mundo e é motivo de uma Aliança Mundial para combater a resistência proposta pela Organização Mundial de Saúde. Existem bactérias resistentes na comunidade e nos hospitais.
O uso intensivo e abusivo de antimicrobianos, inclusive na criação de animais para consumo humano, é fator importante na pressão para a emergência de bactérias resistentes.
Qual a consequência da emergência de bactérias multirresistentes?
Para os pacientes é a dificuldade imposta ao tratamento por restarem reduzidas opções de antibióticos. No caso da nossa Klebsiella, apenas dois antibióticos são efetivos.
Apesar disso, esta bactéria não tem super poderes, não é mais agressiva que as outras. Aproveita-se, sim, da fragilidade das defesas imunológicas dos pacientes muito graves internados em UTIs.
Há riscos de infecção para os profissionais de saúde, acompanhantes e familiares?
Não há riscos de infecção para outros que não sejam pacientes, fundamentalmente os graves. Pessoas saudáveis são protegidas pela sua flora normal de bactérias que evitam a colonização e pelo seu sistema de defesa íntegro que impede a infecção.
Profissionais devem se preocupar em não transmitir as bactérias entre pacientes através das mãos contaminadas. Ficar ainda mais atentos à higiene das mãos com álcool-gel principalmente.
Como essa Klebsiella multirresistente apareceu?
A pressão seletiva exercida pelos antibióticos sobre as bactérias é o principal fator responsável pela emergência da resistência. Quanto mais se usa antibióticos mais resistência ocorre, por isso a UTI é o local onde tem mais resistência. Muitas vezes não é possível deixar de usar, mas também há muita situação em que o uso é injustificado e desnecessário.
O uso racional dos antimicrobianos é ação preponderante para a contenção da resistência. Mais de 80% do tempo dos pacientes internados em Uti recebem antimicrobianos. Mas, podemos usá-los melhor solicitando culturas e trocando para antimicrobianos de menor complexidade após resultado das culturas.
As grandes UTIs do Brasil e do mundo estão lotadas de bactérias multirresistentes e a Klebsiella e outras enterobactérias partilham o espaço com o Acinetobacter e a Pseudomonas há alguns anos e a situação tende a piorar.
Nossas armas para resistir a elas? Usar antibióticos de forma racional e adequada para reduzir a velocidade inexorável da resistência e higienizar as mãos para impedir a disseminação.

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