Sujeira continua tomando conta do Ceasa em Aracaju
Cotidiano 19/02/2014 15h30

Por Laís de Melo

No ano de 2013 o Centro de Abastecimento de Alimentos de Sergipe (Ceasa) sofreu grave ameaça de ser interditado após denúncia feita pela Secretaria da Saúde, através da Vigilância Sanitária. O Ministério Público, por meio do promotor de Justiça do Consumidor, Daniel Carneiro, pediu que a situação fosse regularizada através de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), do contrário seria feita uma Ação Civil Pública. Chegou o ano de 2014 e o Ceasa continua com frutas expostas a roedores, produtos no chão próximos a esgoto, causando mau cheiro no local e trazendo riscos à saúde de consumidores, uma situação completamente precária de boa saúde pública.

É só entrar no Centro de Abastecimento para se sentir incomodado com o cheiro forte de lixo. Ao transitar por ali com sapatos que não protejam completamente os pés, corre-se o risco de contrair alguma infecção. As pessoas continuam comercializando em barracas de madeira na parte de baixo, de forma irregular. A casca do coco prossegue sendo depositada no chão, e a cana-de-açúcar também está sendo comercializada sem autorização legal.

Em meio a tanta desordem, apenas um problema parece ter sido solucionado. Com medo de serem despejados do Ceasa e perderem suas fontes de renda, os comerciantes de frutas da parte de cima reformaram e padronizaram seus boxes, passando de madeira para alvenaria, o que deixou o ambiente mais limpo e organizado.

A comerciante Marinelza Santos (foto ao lado), que vende frutas há 13 anos, gastou cerca de R$ 2 mil para reformar o quiosque. “A direção do Ceasa disse que não iria arcar com nada, então, coube a nós fazermos por conta própria”, acrescentou.

Para Marinelza, a situação do lixo exposto melhorou após a contratação de uma empresa privada que passou a retirá-lo constantemente. Porém, ela revelou que a sujeira continua a mesma. “Você mesma pode ver a imundície que está esse local. É só dá uma rodada lá por baixo para ver. Aqui em cima está até melhor, mas lá embaixo está a mesma coisa”, reiterou.

Os comerciantes da água de coco (foto abaixo à direita) também concordam quanto à sujeira e creditam a culpa à administração do Ceasa, no caso, do presidente Augusto Gonçalves Neto. Eles admitiram que deixaram um tempo o lixo acumular no pátio do centro de abastecimento como forma de protesto, e ficaram no aguardo para que a administração tomasse a atitude de retirar. Mas, ao contrário disso, a Vigilância Sanitária esteve lá, e a situação ficou ruim para eles. “Depois que entrou esse Augusto foi que entrou essa lei de que cada comerciante teria que recolher seu lixo. Mas ele deveria fazer isso. Ele ganha dinheiro para nada?”, questionou um vendedor.

Presidência do Ceasa

De acordo com Augusto Neto, a situação é um pouco diferente do que os comerciantes descrevem. A reportagem de F5 News esteve no Ceasa para conversar com o presidente no dia 10 de fevereiro e Augusto admitiu a sujeira, mas afirmou que ela é produzida pelos próprios comerciantes, que jogam lixo no chão. “Nós temos equipes de limpeza e retiramos o lixo comum diariamente, mas eles insistem em jogar lixo no chão. Tentamos de todas as formas educá-los, já que não têm naturalmente, através de multas, mas não adianta”, afirmou o diretor.

Segundo Augusto (foto abaixo), atualmente são retirados do Ceasa cerca de 100 toneladas de lixo por mês. Antigamente, o lixo comum chegava a 290 t, sendo 240 t apenas da casca do coco. O que aconteceu, segundo a explicação do diretor, foi que em 2013 o prefeito de Aracaju, João Alves Filho, fechou o lixão que ficava localizado no bairro Santa Maria, tendo agora que ser levado para o depósito de lixo no município de Rosário do Catete, o que trouxe uma nova despesa para o Ceasa.

“Nós fomos pegos de surpresa. Eu tive que procurar uma nova empresa para levar esse lixo. Sem contar que o novo depósito cobra R$ 95 por tonelada, se eu fosse pagar 240 t só da casca do coco, não íamos nem ter dinheiro para isso”, afirmou.  

O Ceasa arrecada por mês cerca de R$ 70 mil, sendo que R$ 50 mil vão diretamente para o pagamento da retirada do lixo. Augusto reafirmou que não tem a obrigação de retirar o lixo em excesso dos comerciantes e que isso consta no regulamento. Acrescentou que uma equipe com mais de 30 funcionários cuida da limpeza do local e antecipou que está investindo em um equipamento melhor para a coleta do lixo, evitando que fique exposto.

Augusto desabafou que lidar com seres humanos é um desafio e que já foi ameaçado de morte, e até de ser atacado por tomates podres em uma reunião, devido à insatisfação dos comerciantes. “Eu poderia ser totalmente diferente se cada um tivesse a sua responsabilidade, a sua consciência”, concluiu.

Ministério Público Estadual

Enquanto isso no MPE, na Promotoria do Consumidor, o promotor Daniel Carneiro acompanha a situação. Novas denúncias foram feitas e no dia 17 já houve um novo despacho para novas investigações e fiscalizações que estarão a cargo da Vigilância Sanitária. Além disso, a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos (Cohidro), que provou ser a proprietária do prédio, prometeu que seria construído um novo estabelecimento de comércio e que o atual seria vendido. Quanto a isso, Daniel também irá averiguar como anda a criação do projeto para o novo prédio.

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