SMTT e Setransp: retirar faixas exclusivas é retrocesso para mobilidade
Cotidiano 28/07/2016 07h26 - Atualizado em 27/12/2016 10h31

Por Fernanda Araujo

A Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Aracaju (SMTT) já recorreu da decisão judicial que determinou a retirada das faixas exclusivas para ônibus, previstas na Lei de Mobilidade. No entendimento da SMTT e do Setransp, a mudança pleiteada pelo Ministério Público Estadual (MPE) aponta para um retrocesso no plano de mobilidade em desenvolvimento e não considera as vantagens da utilização do recurso, que segundo os gestores, não tem relação direta com o sistema Bus Rapid Transit (BRT).

As faixas azuis foram instaladas nas Avenidas Tancredo Neves e Beira Mar em março deste ano, e ficaram apenas cerca de um mês em operação, mas foram suspensas por conta de reclamações da população que também levaram o MP a intervir no caso.

A alegação dos promotores para remoção da sinalização é de que a SMTT não deveria destinar vias exclusivas para o transporte coletivo sem a adequação na malha viária da capital e finalização do BRT. “No caso específico de Aracaju as faixas estão previstas dentro do sistema BRT, que é uma rede hierarquizada, composta de estações, terminais, corredores que terão que ser construídos, talvez em cinco anos”, argumenta a promotora Mônica Hardman.

No entanto, para o superintendente da SMTT, Nelson Felipe, o juízo do MP possui equívocos, na medida em que, as faixas não são parte do projeto BRT, mas a alternativa encontrada pelo órgão de trânsito para melhorar a mobilidade do transporte público, que atende a maior parte da população da região metropolitana. “Cerca de 70% das pessoas utilizam o sistema de ônibus. Retirar a faixa é um retrocesso, uma perda para o trabalhador, a dona de casa que teria o tempo de seu deslocamento reduzido em 20%”, aponta.

“As faixas são uma evolução que prioriza a maioria da população, mas que usa menos de 25% das vias. Elas não estão anexadas ao BRT ou a qualquer outro equipamento de transporte, são ferramentas de mobilidade que se unem”, acrescenta o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros da Grande Aracaju (Setransp), Alberto Almeida.

O presidente do Setransp destaca ainda vantagens da utilização das faixas exclusivas constatadas por outras cidades que passaram a destinar uma área apenas para circulação dos coletivos. “Com o corredor exclusivo, o operador do veículo tem menos desgaste circular, o usuário passa a ter previsibilidade de chegada, além da redução no consumo de combustível, e consequentemente, na emissão de gases poluentes, ou seja, favorece a todos”, completa Almeida.

Trânsito Melhor

Detentora do posto de capital com o pior trânsito do Brasil, segundo levantamento da empresa TomTom, especializada em GPS, em 2013, Recife (PE) passou a se debruçar sobre alternativas para acelerar a melhoria da mobilidade. A mais barata, eficiente e acessível, até agora, foi a implantação das faixas azuis. De lá para cá, a taxa de congestionamento caiu de 82% para 43% no rush noturno.

O trânsito na capital pernambucana ainda não é o dos sonhos, mas esse resultado foi alcançado graças a dois fatores: planejamento e educação da população, como explica a engenheira de trânsito, Taciana Ferreira, presidente da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU). Segundo ela, apesar de parecer uma novidade que assusta e ameaça a fluidez do trânsito, as faixas azuis priorizam os usuários do transporte, mas sem esquecer aqueles que trafegam em outros modais.

Hoje, a região metropolitana do Recife, que compreende 14 municípios, possui 32,7 kms de faixa preferencial para o transporte público. A mais recente começou a operar, este mês, em 3,6 dos 8 km da Avenida Recife, uma das mais importantes da cidade.

De acordo com a engenheira, os impactos no tempo de deslocamento e o efeito psicológico são significativos. “O rodoviário tem mais tempo de intervalo entre as viagens, melhorando sua produtividade. Já os passageiros não ficam presos em congestionamentos, evitando muitas situações desgastantes”, cita Ferreira.

Para a especialista, tudo depende da conscientização, já que há uma tendência do motorista em respeitar a Faixa. Um exemplo disso é o que ocorreu na Avenida Recife. De acordo com a CTTU, 56 mil veículos passam pela via diariamente, mas foram registradas apenas 15 infrações por invasão ao corredor exclusivo em 24 horas.

Quando a educação não chega pela conscientização, pode vir pelo bolso. O desrespeito às faixas exclusivas é considerado uma infração gravíssima, com multa de R$ 191,54 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). “O respeito à faixa é algo conquistado mostrando os benefícios dela. Não adianta espremer todo mundo no mesmo espaço, é preciso ordenamento do trânsito”, finaliza a engenheira.

Foto 1 e 2: Fernanda Araujo/F5 News
Infográfico: Will Rodriguez/F5 News/ elaborado em 27.07.16
Foto 3: JC Imagem
Foto 4: Marcos Pastich/PCR

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