Sistema prisional de Sergipe recebe um novo preso a cada 2h30m
Cotidiano 21/07/2016 16h35

Por Will Rodriguez

A cada 2h30m um novo preso é encaminhado a uma das oito unidades prisionais de Sergipe. A estatística da Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi divulgada nesta quinta-feira (21). Segundo a pasta, nos primeiros seis meses deste ano foram efetuadas mais de 1741 prisões em flagrante ou preventivas.

Os dados apontam um crescimento de 5,84% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 1.645 pessoas foram privadas da liberdade, ou seja, em 2016 já ocorreram 290 prisões por mês, nove a cada dia.

“Aumentamos o número de abordagens, alocamos a tropa militar em pontos e horários estratégicos, entre ações pontuais de policiamento ostensivo. Também temos chegado com mais rapidez aos autores de vários tipos de delitos a partir de adoção de novas estratégias na Polícia Civil", justifica o secretário da Segurança Pública, João Batista, destacando que os dados não incluem as prisões afiançadas, por crimes de pequeno porte e apreensões de menores.

Apesar do aumento no número de prisões, nas ruas a sensação de insegurança ainda prevalece em muitas comunidades. Na ótica do delegado, o combate à criminalidade esbarra nas brechas da lei penal brasileira. “As pessoas que são presas voltam ao seio da sociedade rapidamente por conta da fragilidade da legislação. Quem faz as leis e continua achando que (a violência) é problema de polícia, como pode prender seis vezes o mesmo indivíduo?”, questiona Batista, acrescentando que o Judiciário também se vê diante do mesmo dilema. “O juiz, o promotor e delegado não podem ir contra a lei. Temos deficiência em todos os cantos, a polícia tem limitações sérias e graves. O que não admito é dizer que a polícia não vem trabalhando”, afirmou.

Se nas ruas a sensação ainda é de vulnerabilidade, dentro das cadeias, o enredo se repete. As prisões sergipanas estão abarrotadas de presos que, no final das contas, encontram poucas, ou nenhuma, chances de ressocialização. “O Estado não faz a parte dele, não só em garantir a ressocialização, mas até em fornecer espaços adequados para custódia”, avalia o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SE, Thiago Oliveira.

 “Os presos são depositados em masmorras. E ainda não temos regime semiaberto, responsável por prender pessoas com penas até oito anos, correspondente a crimes graves, ou seja, a Justiça tem que soltar porque o Estado é incapaz de construir uma penitenciária para abrigar esses presos”, completa o advogado criminalista, Aurélio Belém. 

Foto: SSP/SE

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