Sintufs realiza ato para lembrar morte de trabalhadora na UFS
Objetivo é discutir a luta contra a violência que vitima a mulher
Cotidiano 19/08/2014 12h13

Por Aline Aragão

No dia 19 de agosto de 2013, há exatamente um ano, Danielle Bispo dos Santos entrava para as estatísticas de crime contra a mulher. Danielle foi morta aos 28 anos pelo ex-companheiro, Cleiton Ramos, com quem ela havia se relacionado por três meses. O crime bárbaro aconteceu no local de trabalho da vítima, no Restaurante Universitário (Resun), que fica nas dependências da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em São Cristóvão, e chocou alunos e colegas de trabalho.

Segundo a gerente do restaurante e também nutricionista, Lorena Araújo, até hoje, os trabalhadores do Resun, mesmo os que chegaram depois, evitam passar pelo local onde tudo aconteceu. Segundo a gerente do restaurante e também nutricionista, Lorena Araújo, O clima ficou tenso por muito tempo, e ainda hoje as pessoas que trabalharam com ela ainda não superaram, algumas delas não passam pelo local onde tudo acontece, outras pediram para ser transferidas.

Para a copeira Maria Ecila Santos, uma das poucas que continuaram no local após o episódio, ainda é difícil lembrar tudo que aconteceu. “Foi uma coisa horrível, nós somos mulheres e isso aí ficou muito marcado, ficou um ambiente pesado”, lamentou Maria.

Lorena diz que acha extremamente importante o ato para a violência praticada contra Danille não caia no esquecimento. “A gente tem que lembrar para que não volte a acontecer, para que não seja só mais um caso. Foi uma tragédia, mas que sirva de luta para que não aconteça mais”, disse.

Para lembrar a data, o Sindicato dos Trabalhadores da UFS (Sintufs), realiza um ato durante todo o dia como forma também de chamar a atenção da sociedade para o combate à violência contra a mulher. As ações começaram às 7h com um café da manhã no próprio restaurante. Houve também apresentação musical, exposição fotográfica e de grafite e panfletagem. À tarde a programação continua com mesas de debates, palestras e homenagens à trabalhadora morta. Entre as homenagens o Sintufs elaborou um documento que será entregue ao conselho universitário da Ufs, e que propõe que o restaurante receba o nome de Danille Bispo.

Segundo a presidente do sindicato, em exercício, Elayne Cristina Menezes, o objetivo do evento é propor um dialogo da retomada da esperança e da luta contra a violência; além de fazer da data um marco simbólico na Ufs, de luta contra a violência contra a mulher. “Retornamos ao Resun, para trazer esse diálogo para a comunidade, e para os trabalhadores, principalmente os que vivenciaram o dia a dia dessa problemática”, disse.

Para a diretora de políticas sociais do Sintufs, Andrea Moreira Batista, com a Lei Maria da Penha, as mulheres ficaram mais encorajadas, mas, mesmo assim, os números da violência têm crescido. “Ainda tem muito a ser feito, faltam políticas públicas, e estado ainda se exime de algumas responsabilidades”, afirmou.

“Abrimos esse espaço para relembrar e discutir essa questão, que está tão presente”. Ela diz também que não é só a violência através da agressão física, existem outros tipos de violência que estão tão presentes na sociedade, e muitas vezes são naturalizadas.

 

Foto: Sintufs

 

 

 

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