Sergipe:35% das escolas estaduais estão prontas para educação inclusiva
Eficiência do ensino para deficientes depende de esforços integrados Cotidiano 12/02/2016 19h00Por Will Rodrigues e Aline Aragão
Histórias como as da sergipana Ana Paula de Matos Santos, exposta na primeira reportagem da série “Educação Inclusiva”, são mais comuns do que se imagina. O acesso de pessoas com deficiência à educação está previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação há mais de duas décadas, no entanto, hoje menos da metade da rede estadual de ensino em Sergipe está apta para receber alunos especiais. Porém, o Estado pretende dar passos mais largos na garantia desse direito.
A Secretaria de Estado da Educação (Seed) contabilizou 2.243 matrículas de alunos com algum tipo de necessidade especial na rede em 2015. Desses, pouco mais de 50% estão incluídos no atendimento Educacional Especializado (AEE), que oferece as salas de recursos, onde eles estudam em horário alternativo, mas, para o assessor técnico de serviço de educação e direitos humanos da Seed, Anderson Reis, a ferramenta só será eficiente a partir de um esforço múltiplo.
Segundo ele, os professores não podem perder de vista que o plano de ensino é construído para atender alguns casos específicos, mas deve ter alcance sobre toda a turma. “Como professor tenho que estar aberto para conhecer o mundo do outro, nesse caso da pessoa com deficiência, e tentar entender as suas especificidades. Todo professor precisa ser um fator motivacional”, considera Anderson.Nem todas as escolas têm salas de recursos por falta de elementos básicos de acessibilidade nos prédios, mas a Seed afirma que trabalha para mudar esse quadro. No começo do mês, uma reunião discutiu as questões a serem melhoradas para o ano letivo de 2016 e a presença de cuidadores nas escolas com maioria de alunos com deficiência. Ao todo 31 já foram contratados. Enquanto não amplia a oferta de sala de recursos, a pasta tem buscado capacitar os profissionais para lidar com os alunos especiais. Através de cursos, realizados em parceria com o Ministério da Educação (MEC), mais de 2.500 professores da rede estão habilitados para atender a esse público.
Professora e mãe de gêmeos - um deles com Down - Alyne França acredita que, além da capacitação, os professores precisam aprender a não distinguir os alunos especiais dos demais. “Compreender que esses indivíduos vão estar em sala e vão precisar de certa atenção, mas não pode superproteger, ele tem que estar ali como qualquer outro aluno”, diz a relações-públicas da Associação Sergipana dos Cidadãos com Síndrome de Down (Cidown).
A professora Jilvaneide Maciel, do Colégio Estadual Barão de Mauá, destaca o trabalho de elevação da autoestima desse público. "O aluno especial já se sente desmotivado e com a autoestima lá em baixo. O papel principal de quem recebe esses estudantes é o de motivá-lo, trabalhar a construção da autoestima para que se eleve cada dia mais".
Professora de braille e sorobã (adaptação para deficientes visuais do ábaco japonês), Maria Helena Francis Sena, que é deficiente visual, só conseguiu estudar a partir da adolescência, quando se mudou para o Rio de Janeiro, por falta de recursos na cidade natal. Para Maria Helena, a inclusão das crianças com deficiência nas escolas é uma realidade que não pode sofrer retrocessos.
“A inclusão é uma realidade, é um fato, ela é necessária, eu acho que está havendo muito investimento nisso. Agora, é preciso que não pare, é preciso que deem importância, que deem apoio ao professor que quer se capacitar, porque senão, a inclusão acabaria sendo de direito, e a gente deseja uma inclusão de fato”, salienta Sena.
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*Com informações da Seed
Foto principal: Eugênio Barreto/Seed

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