Sergipe voltará a realizar transplantes de órgãos, afirma SES
Cotidiano 24/09/2014 19h30

Da Redação

O próximo sábado, dia 27, é dedicado ao doador de órgãos e tecidos; no país, várias ações são realizadas para marcar a data. Em Aracaju a Central de Transplantes de Sergipe também está realizando uma programação especial, para chamar a atenção da sociedade e conscientizar sobre a importância da doação de órgãos.

Na noite da terça-feira (23), um missa em ação de graças foi realizada na paróquia do Conjunto Santa Lúcia, em homenagem e agradecimento às famílias e doadores, e fez parte da programação da Semana do Doador de Órgãos e Tecidos, que começou na segunda-feira, 22, e segue até 27. Para o diácono Ariovaldo Pereira, que celebrou a missa, a igreja vê a doação voluntária de órgãos como um gesto de amor e solidariedade.

Atualmente no estado só é realizado o transplante de córneas. Dados da central de transplante apontam que, nos últimos anos, com a criação do Banco de Olhos, o estado conseguiu diminuir a fila de espera de 400 para 79. “Isso é um avanço muito grande, a implantação do banco facilitou muito, mas ainda temos muito trabalho pela frente, já que o índice de negação ainda é muito alto”, destacou o coordenador da Central, Benito Fernandez (foto ao lado).

Segundo Benito, a conscientização é um dos maiores desafios. “O assunto é muito delicado, principalmente no trato com as famílias dos possíveis doadores; temos feito um trabalho de formiguinha, conscientizando e dando apoio a essas famílias na hora da decisão”, comentou.

Benito disse também que, apesar de o estado não realizar o transplante de órgãos sólidos, é importante que as pessoas saibam que quem mora em Sergipe e precisa de um doador também está na lista nacional. “Quando temos um doador, entramos em contato com a central, que manda uma equipe do estado para onde o órgão será levado, para fazer a captação, a pessoa que irá receber o órgão pode ser de fora, mas pode ser daqui também”, disse.

“As pessoas ainda têm dúvida e medo também, na hora de decidir. Muitos ficam presos à esperança de que o ente querido poderá voltar, mas quando é diagnosticada a morte encefálica, não tem mais volta, e é isso que as pessoas precisam saber, porque essa é a hora de fazer a doação”, explicou o coordenador.

Segundo a secretária da Saúde de Sergipe, Joélia Silva, o Estado tem pretensão de voltar a realizar transplante de outros órgãos e que o primeiro passo já foi dado, através da construção do Hospital do Câncer. “Essa é uma possibilidade em que estamos apostando, com Hospital do Câncer, além de transplante de rim, vamos poder realizar muitos outros como fígado e medula. A nossa expectativa é fazer o estado referência nesse assunto”, disse.

Dando seguimento à Semana do Doador, aconteceu hoje (24), às 16h no auditório da UNIT palestra “Descomplicando a morte encefálica”. Na quinta-feira, 25, às 9h, acontece palestra sobre o mesmo assunto, desta vez no auditório do Hospital Universitário. E à tarde, no HUSE, “Zerando a fila de córnea em Sergipe”.

Na sexta-feira, 26, às 9h e às 15h, acontece homenagem aos parceiros da Central de Transplantes de Sergipe. A programação encerra no sábado (27), às 8h, com um plantio de árvores e a inauguração no Parque da Sementeira, do “Cantinho do Doador de Órgãos e Tecidos”. O local receberá o nome do primeiro doador do estado.

O transplante

Existem dois tipos de doadores potenciais. Em vida, qualquer pessoa saudável pode doar um dos rins, parte do fígado e da medula óssea. Mas os outros órgãos só podem ser doados em caso de óbito e com a autorização da família. Neste caso, é necessário que seja constatada a morte encefálica do paciente.

Para Fernandez, muitas famílias não aceitam que quando há a morte das células do encéfalo, e por consequência ele deixa de funcionar, já fica caracterizada a morte daquela pessoa. “O grande problema é que as pessoas desconhecem esse quadro. Como o coração ainda está batendo, a família acredita que o paciente está vivo, porque a gente ainda associa a vida e o amor ao coração”, afirmou.

 

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