Sergipe registra mais de um estupro por dia, mostra estudo
Cotidiano 03/11/2016 16h26 - Atualizado em 03/11/2016 17h15Por F5 News
A cada 24 horas mais de uma mulher foi vítima de estupro em Sergipe no ano passado, segundo levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (3), com base nos boletins de ocorrência registrados.
O estado registrou 442 casos de estupro, em 2015, o que corresponde a uma média de 1,2 vítimas por dia. Embora o dado geral represente uma redução de quase 14% em relação a 2014, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que não é possível afirmar que realmente houve redução do número de estupros no Brasil, já que a subnotificação desse tipo de crime é extremamente alta.
Um estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que, no país, apenas 10% dos casos de estupro chegam ao conhecimento da polícia. “Pesquisas de vitimização produzidas no Brasil e no mundo indicam que os principais motivos apontados pelas vítimas para não reportar o crime às instituições policiais são o medo de sofrer represálias e a crença que a polícia não poderia fazer nada ou não se empenharia no caso”, afirma a diretora executiva do Fórum, Samira Bueno.
O Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) faz a mesma avaliação e destaca o fato de que muitas mulheres não denunciam o estupro. “Tem sido cada vez mais difícil sustentar as denúncias de estupro no Brasil por conta de uma onda de retrocesso bastante conservadora”, disse a assessora técnica do centro, Jolúzia Batista.
Ela cita a revitimização de mulheres durante o processo jurídico, a péssima qualidade do atendimento das vítimas, o constrangimento a que são submetidas e a impunidade de agressores como agravantes do quadro no país.
“É preciso falar sobre a qualidade do atendimento e sobre a questão da punição, de perseguir mesmo o caso e prender o estuprador. Isso tudo além de enfrentar a cultura do estupro, que seria promover uma educação igualitária para homens e mulheres, enfrentar o machismo e a educação sexista que dá poder ao homem de achar que pode dispor do corpo da mulher a qualquer hora e lugar”, acrescentou.
Outro fator que pode mascarar os números, segundo o Cfemea, é a alta ocorrência desse tipo de crime dentro das próprias residências das vítimas – sobretudo meninas menores de idade e normalmente abusadas por pais, padrastos, irmãos, tios ou primos. “São casos muito mais delicados e que não são denunciados”, explicou Batista.
Além de registrar um boletim de ocorrências nas Delegacias Plantonistas da capital ou procura a Delegacia da Mulher, no DAGV da Rua Itabaiana, 158 – Centro de Aracaju, a vítima de assédio ou abuso sexual pode denunciar através do 181 da Polícia Civil e do 180 da Central de Atendimento à Mulher.
*Com Agência Brasil

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos
