Sergipe registra mais de 4 mil casos de Aids em 28 anos
Cotidiano 05/06/2015 09h35

Da Redação

De 1987 até o último mês de maio, Sergipe notificou 4.108 casos de Aids. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (05) pela Secretaria de Estado da Saúde (SES). A data marca os 34 anos da descoberta dos primeiros casos da doença ainda sem cura, mas controlada por tratamentos com antirretrovirais. Para o gerente de do programa DST/AIDS da SES, o Dr. Almir Santana, a AIDS está difícil de ser vencida e muitos preferem ignorá-la.

O médico Sanitarista ressalta que em Sergipe, a epidemia está completando 28 anos desde o surgimento do primeiro caso notificado. “Como ativista, comprei “várias brigas” para encarar a AIDS no meu estado. Lutei para acontecer cirurgia em paciente com uma doença pulmonar. Lutei para fazer secretários de saúde “acreditar” que a AIDS existia. Lutei para que famílias aceitassem e ajudassem seus “entes queridos” acometidos pela doença. Briguei por casas para pessoas soropositivas que estavam vivendo na rua e até para conseguir um RX de tórax”, recorda Santana.

Dr. Almir ainda lembra que “no início da epidemia, quando lutava por algum benefício às pessoas vivendo com HIV/AIDS, ouvia frases que mostravam incompreensão, falta de solidariedade e ignorância: “por que só a AIDS tem esse direito”, “esse médico quer aparecer”, “é capaz dele querer ser político”, “para ele trabalhar tanto, será que tem algum membro na família com AIDS ou deve ganhar muito dinheiro”.

O gerente considera que lutar pela causa da doença continua sendo um grande desafio. “Há cada momento, temos um novo desafio a encarar. Alguns dizem assim: “Vocês trabalham tanto e a AIDS continua aumentando”. Certamente que se não existissem o trabalho educativo permanente, o envolvimento das organizações não governamentais, o apoio de vários gestores e a participação da mídia espontânea, a epidemia do HIV estaria numa situação muito mais grave”.

Santana enfatiza que novos comportamentos sexuais da população dificultam a prevenção. “Por outro lado, novas formas de prevenção estão sendo divulgadas, saindo do foco apenas na camisinha. Decididamente, existem pessoas que não querem usar o preservativo e se envolvem em situações de risco afirmando que “sexo arriscado é mais gostoso”. O uso dos medicamentos, como medida de redução dos riscos, tornou-se necessária”, completa.

De acordo com o médico, desde 1996, com o desenvolvimento dos antirretrovirais, a doença inicialmente considerada mortal passou a ser uma enfermidade crônica. “Hoje, o tratamento já é considerado também uma forma de prevenção além da camisinha. A qualidade de vida de quem vive com HIV/AIDS melhorou e as atitudes de discriminação diminuíram muito. Mas temos muitos problemas ainda a enfrentar”, pondera Dr. Almir.

A Doença

A divulgação de um estudo sobre "cinco homens jovens de Nova York e Califórnia, todos eles homossexuais ativos" marcou o primeiro reconhecimento de um Governo de que existia uma nova e rara doença no dia 5 de junho de 1981. No ano seguinte ela passou a ser chamada Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, Sida, em inglês AIDS.

“Os primeiros casos foram diagnosticados com tipos de pneumonia e de câncer de pele denominado Sarcoma de Kaposi que até então só afetavam pessoas com o sistema imunológico muito debilitado. Durante meses, muitos cientistas acreditavam que apenas os homossexuais podiam contrair a doença. Hipótese descartada em dezembro de 1981, quando foram confirmados os primeiros casos em usuários de drogas injetáveis, e pouco depois em heterossexuais”, esclarece o médico.

Dr. Almir reforça que a descoberta dos primeiros casos em homossexuais foi o principal fator que levou ao preconceito, que ainda persiste, provocando atitudes de discriminação até hoje.

“A AIDS provocou milhões de mortes e várias transformações na área de saúde e na sociedade. Foi a primeira doença a provocar uma grande mobilização das pessoas acometidas, pessoas na área da saúde e na sociedade em geral que passaram a “brigar” pelos direitos aos exames, aos tratamentos específicos e, acima de tudo, pelo respeito”, pontua. 

*Com informações da SES

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