Sergipe registra apenas quatro adoções no primeiro semestre de 2015
Campanha do Tribunal de Justiça estimula adoção tardia
Cotidiano 29/06/2015 10h16

Da Redação

Apenas quatro adoções foram registras em Sergipe nos primeiros seis meses deste ano. O levantamento sobre os números da adoção no país, divulgado nesta segunda-feira (29), foi elaborado pela Corregedoria Nacional de Justiça a pedido do portal G1 Brasil.

A pesquisa revelou que 16 estados já registraram adoções via Cadastro Nacional de Adoção em 2015 e Sergipe ocupa a última posição com o menor número de adoções. Veja o balanço completo.

De acordo com os dados da CNJ, em 11 Estados não houve registro de adoção por meio do Cadastro Nacional. Entretanto, como alguns juízes não incluem os dados na ferramenta, não há como saber, se não foi realizada nenhuma adoção nesses locais.

Um relatório do Cadastro Nacional da Adoção obtido por F5 News indica que, atualmente, existem 374 pretendentes à adoção e 55 crianças aptas a serem adotadas em Sergipe. O relatório não mostra o total de "Crianças/Adolescentes" acima de 17 anos que podem estar cadastrados no sistema. Algumas delas podem ter atingido a maioridade após terem sido cadastradas.

Em Sergipe, existe uma média de 7 potenciais adotantes para cada menor a espera da adoção. As 34 unidades de acolhimento registradas pelo CNJ abrigam 318 menores. Entretanto Além da demora no processo de reintegração familiar, que faz com que as crianças acabem ficando muitos anos nos abrigos, persiste o problema da exigência, por parte dos pretendentes, por crianças mais novas.

“Precisamos mudar a cultura de adoção no País. A Justiça respeita a preferência dos requerentes por crianças mais novas, porém as famílias que não são atendidas não podem culpabilizar o sistema de Justiça. Não podemos fabricar crianças para atendê-las. Hoje, 95% das famílias procuram o mesmo perfil, crianças com menos de dois anos, saudáveis, brancas ou morenas-claras, e sem irmãos, o que chamamos de o “perfil clássico”. Mas o que encontramos hoje nos abrigos são muitas crianças negras, acima de cinco anos, com irmãos e muitas vezes com problemas severos de saúde”, observa o psicólogo Walter Gomes de Sousa, há 12 anos supervisor da área de adoção da Vara de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

Incentivo

No último mês de maio, o Juizado da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) lançou a Campanha “Adoção: deixa crescer o amor” com o objetivo estimular, conscientizar e preparar as pessoas para a adoção, principalmente, a adoção tardia, inclusive de crianças e adolescentes com necessidades especiais e grupos de irmãos.

Desde 2010, o TJSE realiza semestralmente Audiências Concentradas para a reavaliação das medidas de acolhimento. Para a juíza Rosa Geane, da 16ª Vara Cível da Comarca de Aracaju, este trabalho conjunto da Rede de Proteção tem mudado o perfil das adoções em Sergipe. “Um exemplo disso é o Abrigo Sorriso que já chegou a ter mais de 60 crianças de 0 a 6 anos acolhidas e hoje tem apenas 16. Anteriormente, 80% dos adotantes queriam crianças de 0 a 1 ano e agora a idade aumentou para de 0 a 3 anos. Outro dado relevante é que 45% aceitam crianças de qualquer raça”, pontuou a magistrada.

 A juíza destacou também que a unidade tem conseguido bons resultados com a adoção tardia. “São casos paradigmáticos da Vara. Em 2012, tivemos a inclusão de um adolescente de 14 anos, portador de necessidades especiais. Já em julho de 2013, foi incluído também um adolescente de 14 anos. Tivemos ainda nesse período a inclusão de crianças de 12, 11 anos, também com necessidades especiais e, recentemente, nas audiências concentradas realizadas em abril de 2015 a inclusão de um grupo familiar com irmãos de 8 e 10 anos. Esta é uma vitória para a 16ª Vara, que vem trabalhando a mudança do perfil das pessoas, para que elas deixem crescer o amor, estimulando a recepção de crianças e adolescentes em seus lares com idade acima de 03 anos”, comemorou.

As pessoas que estão dispostas a adotar devem realizar a inscrição no Cadastro Nacional de Adoção, pois a partir do cadastramento, elas serão convocadas, em Aracaju, pelo 16ª Vara Cível para participarem do Curso de Adoção, que é realizado em conjunto com a Coordenadoria da Infância e Juventude do TJSE.

Apesar de os dados disponibilizarem informações pessoais, como por exemplo, idade, número de irmãos, saúde e deficiências de cada um deles, apenas juízes, promotores e serventuários autorizados podem acessar os dados de identificação de cada criança e jovem, durante o processo de adoção.

*Com informações G1; CNJ; TJSE

​Foto principal: César de Oliveira​

Foto 2: Divulgação TJSE

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