Sergipe não resgata trabalhadores em condições de escravidão em 2015
Cotidiano 28/01/2016 17h31

Por Fernanda Araujo e Will Rodriguez 

Nenhum trabalhador em condições análogas à escravidão em Sergipe foi resgatado pelo Ministério do Trabalho no ano passado. A informação está no relatório divulgado nesta quinta-feira (28), Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Ainda segundo o balanço, nenhuma das 143 operações realizadas no país ocorreu no território sergipano. Ainda assim, nos últimos anos o Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) tem alertado para o aliciamento de trabalhadores.

Segundo a Superintendência do MT em Sergipe, em geral as fiscalizações só ocorrem quando há denúncias. Elas podem ser feitas por meio de um aplicativo para celular em que é possível relatar flagrantes de violações aos direitos dos trabalhadores. Também é possível denunciar na superintendências do MTP/SE, no Centro de Aracaju, ou pelo telefone 158 (Alô Trabalho), no Ministério Público do Trabalho, na Pastoral da Terra e por meio do Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos.

Já o aliciamento é caracterizado pelo recrutamento de trabalhadores para trabalho em localidade diversa da sua origem. Transportados de forma irregular (sem a Certidão Declaratória de Transporte de Trabalhadores – CDTT –, que deve ser entregue à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego), enfrentam péssimas condições de trabalho, com características semelhantes à escravidão.

Geralmente, os municípios de origem dos trabalhadores sergipanos localizam-se no sertão, como: Canindé do São Francisco, Poço Redondo, Porto da Folha e Monte Alegre de Sergipe.

Situação crítica

Em 20 anos de ações contra essa prática no Brasil, quase 50 mil trabalhadores foram resgatados. O valor das indenizações trabalhistas chegou a mais de R$ 92 milhões. No ano passado foram mais de mil trabalhadores resgatados e R$ 3 milhões em indenizações.

Segundo o procurador do Trabalho e Coordenador do Programa Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, Renan Kalil, o Brasil é eficiente na repressão à prática de trabalho escravo, mas ainda precisa melhorar as estratégias de prevenção. “O combate pode acontecer tanto no âmbito repressivo, que é tirar os trabalhadores da situação em que eles são encontrados de trabalho escravo, como no âmbito preventivo, que é evitar que o trabalhador volte a se encontrar nessa situação ou evitar que ele entre no ciclo de trabalho escravo. No Brasil, temos uma estratégia de repressão que tem um sucesso considerável, mas essa questão da prevenção deve ser mais trabalhada. É uma vertente que precisa ser aprimorada pelos órgãos de combate ao trabalho escravo”, aponta.

Mais Notícias de Cotidiano
Pedro Ramos/Especial para o F5News
28/10/2021  09h31 A vida de quem não tem um lugar digno para morar em meio à pandemia
Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Foto: AAN/Reprodução
11/03/2021  18h30 Prefeitura realizará testes RT-PCR em assintomáticos no Soledade
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Foto: Agência Brasil/Reprodução
11/03/2021  17h30 Em dois novos editais, IBGE abre inscrições para 114 vagas em Sergipe
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Foto: SSP/SE/Reprodução
11/03/2021  16h10 Polícia prende suspeito de furtar prédio do antigo PAC do Siqueira
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Foto: SES
11/03/2021  16h10 Com aumento de casos, Sergipe teme falta de insumos hospitalares
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos