Sergipe é pioneiro em emissão de nota técnica sobre sífilis
Cotidiano 17/04/2017 17h47A secretaria de Estado da Saúde (SES), através da Divisão de Vigilância Sanitária, emitiu nota técnica que recomenda a solicitação rotineira de exame para detecção de sífilis em pacientes do sexo masculino, tanto em unidades da rede pública quanto em unidades da rede privada. A nota, recomendada aos profissionais da saúde, Secretarias Municipais da Saúde, Conselhos Regionais de Medicina e Enfermagem, sindicatos e Sociedade Médica de Sergipe, foi a primeira do Brasil, sendo comunicada e aprovada pelo Ministério da Saúde (MS).
De acordo com o gerente do Programa Estadual de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids), o médico Almir Santana, a intenção de tornar constante a solicitação médica do exame ou teste rápido em homens se dá em função de uma epidemia de sífilis.
“O preconizado pelo MS é identificar, em média, menos de um caso de sífilis congênita [quando o bebê nasce com sífilis] para cada mil nascidos vivos. Em Sergipe, temos em torno de 10 casos para cada mil nascidos vivos, aproximadamente. Uma estimativa alarmante, que o caracteriza como estado nordestino com maior número de casos de sífilis congênita. Diante desse dado, o ideal é identificar o quanto antes o maior número possível de sífilis em gestantes para, a partir daí, orientar essas mães para o tratamento que inicia no pré-natal, cuja qualidade é responsabilidade da Rede de Atenção Básica”, explicou o gerente.
Segundo a técnica da Gerência de IST’s da SES, Fernanda Costa, no primeiro trimestre de 2016 Sergipe registrou 81 casos de sífilis em gestantes. Até o último dia 5, chegou a 58 o número de casos. Já a sífilis congênita somou 69 casos no primeiro trimestre de 2016 e até a mesma data de 2017, 49 casos. No que diz respeito à sífilis congênita, lideram no ranking os municípios de Nossa Senhora do Socorro (10 casos), Aracaju (6 casos) e Itabaianinha (4 casos).
“Esses dados são notificados pelos municípios através das maternidades e Unidades Básicas de Saúde [UBSs]. Não são dados considerados positivos e quando deslocamos equipes da Gerência de IST’s da SES para monitoramento e supervisão nos municípios com maior índice de sífilis congênita, percebemos que há mais casos a serem registrados”, ressaltou Fernanda.
O que é?
A sífilis é uma infecção adquirida em relação sexual quando não há uso de camisinha, portanto não escolhe idade, sexo, nem classe social. A contaminação nem sempre ocasiona a manifestação de sintomas, o que a caracteriza como infecção, às vezes, silenciosa por meses ou até anos. O primeiro sintoma surge a partir de uma feridinha nos órgãos genitais (pênis, vagina ou ânus) chamada cancro duro, que não dói, não gera pus e desaparece sozinha mesmo que não haja a cura. O segundo estágio da manifestação dessa infecção se dá com queda de cabelo, feridas no corpo, especialmente em mãos e pés, que não coçam.
Consequências
Sem tratamento, a sífilis pode trazer agravos muito grandes para o sistema nervoso e para o coração, a exemplo de cegueira, demência e aneurisma de aorta (dilatação da artéria aorta). Porém, a maior problemática enfrentada pela rede pública de saúde é a sífilis congênita, que se manifesta quando a mãe não realiza o pré-natal corretamente. A mãe só infecta a criança quando não descobre a presença de sífilis ou quando descobre e não faz o tratamento.
“Há também a possibilidade de a mãe descobrir a sífilis tardiamente, por isso o ideal é que o exame seja feito assim que a mesma identifica a gravidez. Quando infectado e não tratado, o bebê apresenta seqüelas, como infecção no nariz (pus), má formação no esqueleto e lesão no sistema nervoso, quando chega a nascer. Às vezes, o bebê chega a vir a óbito antes mesmo do nascimento”, explicou Almir Santana.
Tratamento
O tratamento em combate à sífilis é rápido, assim como o diagnóstico, que pode ser feito com um teste rápido, com resultado em até 20 minutos. No caso da sífilis primária, uma única dose de penicilina benzatina intramuscular já é suficiente para pôr fim à bactéria Treponema pallidum, transmissora da infecção. O medicamento é disponibilizado em UBSs e aplicado aos bebês, mesmo após o nascimento.
“Alertamos as mães para a realização do pré-natal junto com o parceiro, uma vez que quando falamos em sífilis a maior problemática de saúde pública é a infecção congênita. Além disso, é extremamente importante o uso de camisinha também nas relações sexuais durante a gravidez”, enfatizou o gerente do Programa IST/AIDS.
Dia Nacional da Sífilis
Aprovado no Senado Federal em março deste ano, o Dia Nacional da Sífilis foi sancionado pelo presidente Michel Temer. De acordo com a Lei 13.430, a data será lembrada no terceiro sábado de outubro de cada ano.
Na data serão realizadas atividades conscientizadoras com a participação dos profissionais e gestores de saúde, a fim de enfatizar a importância do diagnóstico e tratamento às gestantes durante o pré-natal. A infecção será mostrada ao público em geral como doença sexualmente transmissível e seus agravos serão evidenciados a fim de inibi-la.
Fonte: Ascom SES

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