Sergipanas relatam a árdua batalha que enfrentam para vencer o câncer
Pacientes cobram efetividade do tratamento oferecido pelo SUS no Estado Cotidiano 04/02/2016 18h33Por Fernanda Araujo e Will Rodrigues
"Você está com câncer." Essa frase foi ouvida por mais de 550 mil brasileiros entre 2014 e 2015, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). Para este ano, o Inca prevê cerca de 590 mil casos novos, no entanto, o diagnóstico é apenas o início de uma batalha árdua, sobretudo porque, cerca de 60% dos pacientes são diagnosticados já em estágio avançado no país e conseguir um atendimento eficiente pela rede pública pode ser demorado demais.
Radioterapia, Quimioterapia e cirurgia são só algumas das fases de um processo doloroso que muda radicalmente a vida de quem passa a enfrentar a doença. A mortalidade tem se reduzido com o avanço dos tratamentos e a conscientização, mas, ainda assim, os pacientes lidam todos os dias com a assustadora possibilidade de não alcançar a cura. Nesta quinta-feira (4), Dia Mundial do Câncer, F5 News ouviu sergipanas que estão nessa guerra e relatam como encaram a doença que, antes considerada uma sentença de morte, ainda assusta, mas pode ser uma chance de recomeço.
Alice Ramos enfrenta o segundo câncer de mama e recebe assistência.
“Fiz radioterapia há cinco anos, mas não fiz no Huse porque infelizmente era essa mesma problemática de hoje; na época fui para São Paulo. Já fiz 14 sessões de quimioterapia e vou fazer a 15ª na próxima semana. O médico ainda não deu previsão de quando vou fazer a radioterapia, mas o problema é quando precisa fazer no Huse. Eu tento levar a minha vida normalmente, faço tudo o que posso, a gente sabe que tem algumas limitações por conta das fortes medicações, mas graças a Deus estou bem.”
Elenildes Rezende, em tratamento contra o segundo câncer.“Tive toda a medicação em dia, mas quando foi preciso extrair a mama tive que entrar na Justiça. Fiz a cirurgia e voltei a tomar medicação para finalizar (o tratamento), correu tudo bem. Quatro meses depois de acabar a medicação, descobri que o câncer estava no fígado. Há seis meses estou em tratamento, só que a medicação é para tomar em quatro meses, mas até hoje só tomei a primeira. Esse ciclo já era para ter terminado para partir para outro tratamento, se necessário, mas como não foi certinho, acabei ficando para trás. Por que não ser sensível à situação que estamos vivendo? Na época em que fiz a radioterapia no seio, estava na fila de 290 pessoas, mas minha posição não reduzia. Só consegui o tratamento por ajuda de um conhecido. Durante as 25 sessões, graças a Deus, o aparelho não quebrou.”
Sheila Galba, uma das representantes do grupo Mulheres do Peito, que conseguiu finalizar o tratamento.“É uma angústia o que a gente vive. O Estado não tem compromisso com os pacientes oncológicos. Se não tiver o TFD (Tratamento Fora Domicílio) e colocar o terceiro turno, a fila não anda e pacientes vão morrer. Fiz a rádio que era para terminar em 30 dias, mas terminou em quase 70. É necessário que a fila ande. É falta de medicação, falta de assistência séria aqui no Estado. A fila só cresce, tem pacientes que esperam há anos pela radioterapia, isso só agrava porque, quando você termina um tratamento de quimio, você tem um mês para começar o de rádio. A gente precisa que o Estado olhe pelos pacientes oncológicos.”
Valdete Vieira do Nascimento, assistida pela Associação Amigos da Oncologia (AMO).“Eu descobri o câncer de mama depois que percebi um nódulo em um dos seios. A dor vem e sai, as preocupações vêm, mas tem que sair porque aqui (na AMO) a gente encontra alegria.”
Deficiente
O Ministério Público Estadual (MPE) é enfático ao classificar como crítica a situação de quem precisa do tratamento contra o câncer através da rede pública de Saúde em Sergipe. Para os promotores da área, o Estado não tem cumprido a Lei que estabelece um prazo de 60 dias para início do tratamento dos pacientes a partir do diagnóstico.
Atualmente, há apenas um aparelho de radioterapia 3D, que funciona no Hospital de Urgências de Sergipe (HUSE), para quem já está se tratando e cerca de 300 pacientes aguardando para começar o tratamento. Nesta quinta, o equipamento está sem funcionar. A previsão da Secretaria de Estado da Saúde (SES) é de que duas novas máquinas sejam instaladas até o final de 2016, uma no Hospital de Cirurgia e outra no HUSE. “Vai demorar muito a ser instalado e a gente não quer que daqui para outubro várias pessoas morram como está acontecendo”, aponta o promotor Antônio Fortes. Enquanto isso, a SES tentar firmar um convênio com um Hospital de Salvador (BA) para que 100 pacientes façam o Tratamento Fora de Domicílio (TFD).
Luz no fim do túnel
Apontado como a esperança para melhorar o atendimento aos pacientes com câncer em Sergipe, o governo ainda não divulgou a data de conclusão do Hospital do Câncer Marcelo Déda Chagas. Até o momento, apenas as obras de terraplanagem do terreno onde a unidade será construída, na Zona Oeste de Aracaju, estão finalizadas. A licitação para construção do prédio de 21 mil m² foi suspensa em julho de 2015 por recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU). A Seinfra diz que já fez as correções no projeto e enviou o novo edital para análise da Corte de Contas Federal, mas o processo aguarda parecer do relator, o ministro Weder de Oliveira, para que a licitação seja refeita. O Hospital foi orçado em cerca de R$ 85 milhões e o Estado já possui cerca de R$ 47 milhões. Com ele, o governo planeja aumentar a assistência em até 200 leitos. A SES estima que a construção do prédio dure 36 meses.
“Estamos vivenciando o problema, sabemos que é grave, porque quem está fazendo tratamento de oncologia já está numa situação humilhada. Eu vivenciei esse problema com meu irmão dentro da minha casa e sei como é difícil uma pessoa depender de uma radioterapia na área pública. Se nós não tivéssemos preocupados com essa questão não estaríamos fazendo investimentos para trazer novos equipamentos para atender a população. Mas nós estamos fazendo”, afirmou o governador Jackson Barreto, em entrevista à imprensa nessa quarta-feira (3).
Foto principal: ilustrativa / reprodução internet
Fotos: Arquivo Pessoal das entrevistadas e Fernanda Araujo/F5 News

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