Sem recurso, Hospital de Cirurgia deixará de receber novos pacientes
Atendimento aos internados no hospital continua, mas fica em alerta Cotidiano 24/08/2016 11h44Por Fernanda Araujo
Com mais de R$ 8 milhões em recursos atrasados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), segundo a direção do Hospital de Cirurgia, em Aracaju (SE), a melhor saída no momento é paralisar as atividades. Desde terça-feira (23) foi suspensa a realização de cirurgias cardíacas e neurológicas, além de outras cirurgias, pela empresa que presta o serviço na Unidade Vascular Avançada do hospital.
“Recebi ofício deles ontem dando conta disso, e a suspensão se deveu à falta de alguns medicamentos, que ontem fizemos compra emergencial, mas que não tem como manter para os doentes que estão fora dos limites do hospital”, explica o diretor Gilberto dos Santos, em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (24). A unidade vascular recebe pacientes para realização de cirurgias e que fazem tratamentos cardíacos, predominantemente infartados, com arritmia cardíaca etc.
Também estão suspensos os internamentos clínicos. E a situação pode piorar, de acordo com a direção, caso a Prefeitura de Aracaju não efetue o pagamento pelos serviços prestados ao SUS, de acordo com o contrato. O hospital afirma que vai continuar atendendo os já internados, mas deixará de receber novos pacientes. “Não é um ato de rebeldia, pelo contrário, é como ato de desespero visando preservar os doentes que aqui estão internados sob a nossa responsabilidade, e deixando o problema dos pacientes que estão lá fora para que os gestores sintam a nossa necessidade”, ressalta.
As dívidas, de acordo com a direção, estão em torno de R$ 4 milhões, que deixaram de ser repassados nos meses de maio, junho e julho. Somando ainda mais R$ 4 milhões e 300 mil, que são valores judicializados, frutos de acordos e Termos de Ajustamento de Conduta não cumpridos pela secretaria. Gilberto frisa que a direção do hospital tem mantido uma relação fraterna, quase ‘irmã’, com a Prefeitura e particularmente com as secretarias de Finanças e Municipal de Saúde. “Porém, isso precisa de alguma maneira se transformar em recursos para que a gente possa continuar a assistência”, adverte.
O diretor conta que tem mantido diálogo com a SMS há um mês, mas não foi determinado nenhum prazo para o pagamento. “Fizemos entendimento no Ministério Público para os pacientes de quimioterapia. Teríamos que fazer pagamento no último dia 12 no valor de R$ 150 mil, nós não pagamos porque não recebemos. Estamos à mercê”, diz.
Hoje, sem nenhum recurso no caixa, os pacientes com câncer que fazem quimioterapia também podem ter o tratamento interrompido. O hospital espera receber para na próxima sexta-feira comprar material e medicamento, e pagar à empresa prestadora. Além disso, as obras de ampliação e melhorias do hospital, bem como do setor que está sendo construído para atender os pacientes oncológicos, correm o risco de ser paralisadas. A entrega de materiais e equipamentos sofrerá retardo.
Gilberto dos Santos esclarece que os pacientes estão sendo tratados e na medida do possível continuará com o tratamento. “Vamos ter uma reunião com todo o corpo clínico, não vai faltar atendimento para aqueles que estão aqui internados haja vista que a partir do momento que o paciente entra no hospital a responsabilidade sobre ele cabe a nós”.
Repasses federais
O financiamento do SUS é composto de três esferas de governo - municipal, estadual e federal. O diretor Gilberto confirma a informação passada na nota da SMS de que o hospital recebeu, nos dias 12 e 13, aproximadamente R$ 2 milhões e 950 de recursos federais. Porém, afirma que os demais valores não foram pagos até o momento.
F5 News tentou contato com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, mas sem êxito.

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