Sem radioterapia, mais uma paciente oncológica morre em Sergipe
Cotidiano 04/03/2016 13h45Da Redação
O aparelho de radioterapia do Hospital de Urgência de Sergipe, em Aracaju, voltou a funcionar na manhã desta sexta-feira (04) e pacientes já estão sendo tratados. O equipamento estava quebrado desde a última quarta-feira, mais uma vez. No entanto, o câncer não esperou e outra paciente perdeu hoje essa guerra, da mesma forma que a jovem Iva Leite, de 22 anos - Ivinha, como era conhecida -, que faleceu no dia 30 de janeiro.
A paciente Sarah Núbia, de 38 anos, participava do Grupo Mulheres de Peito e sempre estava à frente das reivindicações com as demais pacientes, na luta pela vida. Há menos de um mês surgiu em Sarah uma metástase cerebral, além disso, o câncer voltou em forma de tumor externo na mesma mama e no braço. Com o tratamento já atrasado no Huse, ela não resistiu e faleceu no próprio hospital.
A representante do Grupo, Sheyla Galba, atribui a morte de Sarah à falta de tratamento, que muitas vezes não foi ofertado devido à quebra constante do aparelho de rádio. “Perdemos uma mulher de peito hoje, justamente por falta desse tratamento. Ela fez o tratamento de radioterapia igual comigo, o mesmo tratamento intensivo, mesmos dias de atraso. O câncer dela voltou porque ela não fez o tratamento adequado, a máquina quebrando com muita frequência. Ela fez vários apelos comigo nas emissoras de TV, é muito triste para a gente”, lamenta.
E a incerteza se o aparelho vai continuar a funcionar nos próximos dias também causa desespero nos pacientes. “A máquina volta a funcionar hoje, aí sábado e domingo não funciona porque tem que parar um pouco. Na segunda, a gente não sabe se nos outros dias vai voltar normalmente. É muito revoltante, a gente está indignado, sem palavras”, disse Galba.
Sarah deixa dois filhos, um de seis anos de idade e outro de 15 anos. O velório e enterro serão na cidade sergipana de Boquim, ainda hoje. Sheyla Galba apela às autoridades que olhem para os pacientes de câncer e tomem providência. “A gente vive numa roleta russa, como aconteceu com ela pode acontecer comigo. Meu tratamento foi interrompido igual ao dela, o câncer dela voltou e o meu pode voltar. As pessoas não entendem o que eu estou vivendo hoje, o que Sara viveu. Eu sou mãe, tenho um filho de quatro anos, é muito duro”.
A máquina de radioterapia do Huse apresentou problemas em uma placa no software do equipamento, segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde. O problema foi constatado através do teste chamado de dosimetria, que mostra o funcionamento do acelerador nuclear. “O acelerador está com funcionamento dentro da normalidade. Mas a placa foi trocada, após o teste foi resolvido o problema e liberado para tratamento”, afirma. Sobre o novo aparelho, a assessoria explica que a área foi isolada e já começou a ser efetivamente instalado no hospital.

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