Sem perícia médica, atendimento continua prejudicado no INSS
Cotidiano 28/10/2015 12h08

Por Fernanda Araujo

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) amanheceu lotado na manhã desta quarta-feira (28). A greve dos funcionários do órgão terminou, mas o serviço de perícia médica continua a passos lentos, já que essa categoria continua paralisada desde o começo de setembro. Apesar dos peritos médicos ganharem entre R$ 11.300 e R$ 16.200 por mês, eles cobram, entre outras coisas, recomposição salarial e uma jornada de 30 horas de trabalho e não 40h semanais como é atualmente.

Por lei, 30% dos peritos precisam trabalhar durante a greve. Mesmo assim, o número de perícias cai de 600 mil por mês, para 300 mil em todo o país. Alguns contribuintes estão sentindo dificuldades para marcar a perícia, como é o caso da universitária Monique Cortes. A estudante revela que foi duas vezes ao órgão e não conseguiu ser atendida.

“Dia 15 de agosto foi marcada a primeira perícia para o dia 18 de setembro – quando ainda estava em greve – e foi remarcada para o dia 19 de outubro. Quando compareci nesta data não fiz a perícia porque não tinha médico, eles respondem que não sabem o dia certo que os médicos aparecem lá, que poderia aparecer naquela semana ou não, que eles aparecem sem avisar a ninguém”, afirma.

Monique explica que sofreu um acidente no dia 26 de junho, no mês de julho saiu de férias e a empresa só poderia dar entrada no INSS em 15 de agosto. “Só recebo depois que for avaliada pela perícia. Como todo cidadão temos nossas contas para pagar e por não receber ficamos endividados, ficando apenas com ajuda de amigos e parentes”, lamenta.

Outras contribuintes afirmam que há atendimento normal de outros serviços, porém todas as perícias que iriam ser feitas hoje foram remarcadas para outros dias, chegando a agendar até para o mês de janeiro.

“Eles estão remarcando porque tem muitos agendamentos acumulados, aí eles estão fazendo separadamente, atendendo aos poucos, estão trabalhando corretamente. A gente veio hoje para serviço social e fomos atendidas, já a perícia vai ser dia 12”, contam a professora aposentada Carmem Lúcia e a dona de casa Monique Nascimento Ramos.

O INSS declarou que está direcionando os médicos disponíveis para atender os casos mais urgentes e tomando providências para continuar pagando os contribuintes que já recebem o benefício e não conseguiram refazer a perícia. A Associação Nacional dos Médicos Peritos declarou que não recebeu nenhuma contraproposta do governo e que a paralisação respeita o que determina a lei.

Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

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