Sem negociação, servidores da Saúde de Aracaju farão greve geral
Prefeitura diz que ainda estuda possibilidade de conceder reajuste Cotidiano 31/05/2016 13h05Por Fernanda Araujo
Nove sindicatos da Saúde de Aracaju vão entrar em greve geral a partir de quarta-feira (01). Eles se unem aos médicos da rede pública da capital sergipana, que já estão com suas atividades paralisadas há 16 dias. Em um ato na manhã desta terça-feira (31), em frente à Prefeitura, as categorias voltaram a criticar o prefeito João Alves Filho por, segundo elas, ainda não ter se manifestado sobre o reajuste nos salários que seriam pagos hoje.
Estão de braços cruzados assistentes sociais, agentes comunitários e de combate a endemias, psicólogos, nutricionistas e técnicos em nutrição, fisioterapeutas, cirurgiões-dentistas, farmacêuticos, enfermeiros e terapeutas ocupacionais, coordenados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Área da Saúde de Sergipe (Sintasa) com o apoio do CTB e UGT.
Apenas os servidores da administração geral e outras categorias, exceto a Saúde, vão receber o reajuste, conforme anunciado pelo Município. Hoje foi pago o salário dos estatutários. “Quase todos os servidores municipais já tiveram o reajuste aprovado desde abril para implementação em maio, exceto o pessoal da Saúde que nem sequer foi anunciado e ainda diz que o salário vai atrasar. A gente está à margem dos outros servidores”, aponta Shirley Morales, presidente do Sindicato dos Enfermeiros (Seese).Para os servidores, isso é um processo discriminatório com as categorias da Saúde e uma afronta pela falta também de negociação. A greve geral será por tempo indeterminado até que haja diálogo com a Prefeitura. “Temos hoje uma inflação de 12% ao ano, a prefeitura ano passado reajustou em 5% quando a inflação foi 8%. Temos uma perda de 17%. Os custos, as tarifas públicas estão corroendo o poder de compra da gente e não estamos mais suportando isso. Um dentista ganha R$ 3.500, R$ 4 mil com cinco anos de serviço. Tem que haver esse reajuste de pelo menos de 10%”, diz Marcos Santana, presidente do Sinodonto.
O presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas (Sintrafa), Alisson Paulino (ao lado), diz que os trabalhadores já estão desmotivados diante das condições ruins e salários desproporcionais, e o resultado disso é o serviço com baixa qualidade. “Os fisioterapeutas hoje têm, junto com outras
categorias, um dos piores vencimentos da Saúde, se juntar com a inflação acumulada nos últimos anos chega a mais de 10% de defasagem. O salário base é um pouco mais de R$ 2 mil, com alguns acréscimos por causa de titulações, mas até o Plano de Carreira para progressão que foi uma conquista está congelado na prefeitura”, ressalta.Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplog) informou que “diante do quadro atual de crise no país e que tem afetado os municípios, a Prefeitura de Aracaju continua estudando possibilidades baseado no pleito dos servidores da saúde, para que assim, tenha condições de apresentar alguma proposta à categoria”.
A pasta também alegou que o reajuste dado somente à administração geral foi anunciado por ser um pleito antigo, e que não há condições de concedê-lo a todos de uma só vez. A assessoria afirmou ainda que o prefeito havia falado da possibilidade em conceder reajuste aos servidores da Saúde, porém, segundo a Seplog, cumprir a folha de pagamento dentro do mês e atender ao pleito de todos está sendo um desafio.
A secretaria também nega que haja falta de diálogo e que os servidores são sempre recebidos. Para a Prefeitura a paralisação é um direito, no entanto, caso haja prejuízos no atendimento à população o Município deve acionar à Justiça para barrar a greve.
Fotos: Fernanda Araujo
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