Sem acordo, greve dos médicos completa dois meses em Aracaju
Impasse entre Prefeitura e Sindicato dos Médicos interrompe assistência em postos de saúde que deixam de fazer cerca de quatro mil atendimentos por dia
Cotidiano 20/03/2017 20h54

Por Fernanda Araujo

Nesta terça-feira (21), os médicos de Aracaju (SE) completam dois meses de greve por conta do parcelamento do salário de dezembro em doze vezes. Enquanto permanece o impasse entre os trabalhadores e o poder público, o atendimento à população continua prejudicado. São 426 médicos trabalhando em escala de greve, com quatro mil atendimentos deixando de ser realizados por dia nas 43 unidades de saúde e dois hospitais municipais.

Após várias tentativas frustradas de negociação, os médicos que não aceitavam o parcelamento dos salários pediam a redução das parcelas de doze para até quatro. Agora, para suspender a greve, o Sindicato dos Médicos propôs que o recurso de R$ 704 mil destinado a contratar 88 médicos em regime RPA para substituir os grevistas nas Unidades de Saúde da Família seja utilizado no pagamento de uma parte do salário atrasado de dezembro de todos os médicos em greve.

O pagamento seria proporcional ao salário de cada um. “E o restante da dívida, a gente negocia em novas parcelas. Esses 704 mil foi comprovado que existem. Os médicos mais uma vez flexibilizam a proposta para acabar com a greve”, afirma o presidente do Sindimed, João Augusto.

A proposta foi aprovada em assembleia no último dia 16, mesmo assim ao que parece a Prefeitura permanece irredutível.

“O prefeito mostrou para a sociedade aracajuana que tem os R$ 704 mil e que estes seriam direcionados para médicos a serem colocados ilegalmente via RPA para trabalhar substituindo parcialmente os grevistas, digo parcialmente porque apenas seriam contratados para 20h, não resolveriam o problema do déficit de atendimento à população e continuaria agravando um conflito trabalhista. Com isso a sociedade não vai ter apenas alguns médicos por 20h e nem gestores apenas 2h por semana. A sociedade terá de volta todos os 200 médicos, sendo 88 médicos do saúde da famila 40h, e 112 entre especialistas e emergencistas (20h e 24h). Essa solução sim será definitiva, não emergencial e nem temporária. É a melhor para a Sociedade Aracajuana colocando um fim nesse litígio trabalhista”, analisa.

Até a última terça-feira (14), 16 dos 88 profissionais previstos foram contratados temporariamente e começaram a atender em 13 das 43 unidades básicas de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde ainda não tem os dados atualizados.

F5 News questionou ainda se a SMS tem buscado negociar com os médicos e se vai estudar ou não a nova proposta do Sindimed; a assessoria respondeu apenas que "a forma de pagamento do salário dos médicos de dezembro é por empréstimo consignado ou parcela do em 12 vezes, igualmente como está pagando aos demais servidores”.

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