Secretaria da Saúde notifica 164 casos de microcefalia em Sergipe
Cotidiano 15/01/2016 20h23

Da Redação

O número de bebês com suspeita de microcefalia relacionada ao vírus Zika em Sergipe passou de 155 para 164, conforme dados do boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria da Saúde (SES), no final da tarde desta sexta-feira (15). As notificações da malformação estão distribuídas em 41 municípios sergipanos, a maior parte delas (26%) em Aracaju. Essa semana o Ministério da Saúde já havia confirmado que investiga se a morte de cinco recém-nascidos com a doença tem relação com o Zika. Mesmo com os 10 novos casos, o estado continua sendo o sexto do país com o maior número de notificações da microcefalia.

De acordo com o boletim da SES, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) realizou o maior número de partos de bebês com a microcefalia. Desde de agosto de 2015 até esta sexta foram 72 casos. Em todo o Estado, a maior incidência de casos da microcefalia foi registrada em novembro do ano passado (64). Neste mês de janeiro já foram notificados 11 casos.

Em dezembro o Governo Federal informou que o Laboratório Central de Sergipe (Lacen) passaria a receber kits para realizar o diagnóstico de Zika. Entretanto, o material ainda não foi liberado e os testes continuam sendo feitos no Instituto Evandro Chagas, no estado do Pará. A previsão da Secretaria da Saúde (SES), divulgada na terça-feira (12), é de que até o final deste mês os insumos sejam encaminhados ao estado.

Segundo informações do Lacen, há demanda de 20 testes por semana e, com a realização dos exames aqui em Sergipe, o tempo resposta será reduzido para até duas semanas. A SES ainda não notificou casos confirmados de Zika em Sergipe, apesar da existência de muitas suspeitas.

Em todo o Brasil já são 3.530 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao vírus Zika distribuídos em 724 municípios de 21 unidades da federação.

Transmitido pelo Aedes aegypti, o vírus Zika começou a circular no Brasil em 2014, mas só teve os primeiros registros feitos pelo Ministério da Saúde em maio de 2015. O que se sabia sobre a doença, até o segundo semestre de 2015, era que sua evolução é benigna e que os sintomas são mais leves do que os da dengue e da febre chikungunya, transmitidas pelo mesmo mosquito.

Porém, no dia 28 de novembro, o ministério confirmou que, quando gestantes são infectadas por esse vírus, podem gerar crianças com microcefalia, uma malformação irreversível do cérebro, que pode ser associada a danos mentais, visuais e auditivos.

A microcefalia não é uma malformação nova, é sintoma de algum problema no organismo da gestante e do bebê, e pode ter diversas origens, como infecção por toxoplasmose, pelo citomegalovírus e agora ficou confirmado que também pelo vírus Zika. O uso de álcool e drogas durante a gravidez também pode levar a essa condição.

Tratamento

Esta semana, o Ministério da Saúde lançou uma orientação para a área médica destinada à estimulação precoce de crianças entre zero a três anos com microcefalia. Segundo o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, o documento unifica o tratamento dado para reduzir ao máximo as sequelas da malformação. Os pais serão treinados para dar estímulos adequados aos filhos.

No Hospital Universitário de Sergipe, em Aracaju, uma equipe multidisciplinar formada por pediatras, fisioterapeutas, neuropediatras e oftalmologistas estão atendendo às crianças com microcefalia nascidas no interior do estado. Já as crianças nascidas com suspeita de microcefalia na Regional de Saúde de Aracaju serão acolhidas na rede de assistência à saúde da capital.

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