Saúde só confirma 29 casos de microcefalia em Sergipe
Dados são parciais; especialista diz que não há motivos para pânico
Cotidiano 13/11/2015 17h30

Por Will Rodrigues

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) reconhece aumento nos casos de bebês que nasceram com microcefalia em Sergipe, mas por enquanto, só confirma 29 dos 49 casos informados ontem (12). Isso porque, de acordo com a pasta, este número leva em conta apenas os dados registrados na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes e que já foram notificados oficialmente ao Ministério da Saúde. Os demais casos ainda estão sendo investigados. Nesta sexta-feira (13) mais um bebê com malformação cefálica nasceu na Nossa Senhora de Lourdes, mas este caso ainda será notificado ao MS.

A partir da decretação do estado de emergência em saúde para todo Brasil por causa do aumento da incidência de microcefalia no estado de Pernambuco e outros do Nordeste, o Ministério da Saúde determinou que todos os casos de bebês que nascerem com perímetro cefálico menor do que a média (33 cm) devem ser notificados imediatamente à pasta para acompanhamento e investigação, ainda que não haja indícios concretos da doença.

Em Sergipe, assim como no restante do mundo, uma média de três crianças em cada grupo de 100 nascem com alguma deformidade congênita, entre elas a microcefalia. Na Nossa Senhora de Lourdes, unidade que recebe casos de alto risco no estado, a média eram de dois recém-nascidos com a anomalia, no entanto, em dois meses este número cresceu consideravelmente, chegando ao total de 20 casos entre setembro e outubro, conforme o superintendente da MNSL, Luiz Eduardo Prado (foto).

Sobre os casos ainda não notificados, o superintendente explicou que “há outros municípios com incidências da microcefalia. Temos pacientes que ainda têm partos domiciliares e maternidades que não são da rede da Fundação Hospitalar, por isso, está sendo levantado para que todos sigam o mesmo protocolo e informem as ocorrências à vigilância epidemiológica”, afirmou.

Os casos registrados na MNSL tiveram procedência das seguintes cidades: Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Domingo, Laranjeiras, Japaratuba, Itabaiana, Itabaianinha, Canindé de São Francisco, Riachão do Dantas, Poço Verde, Salgado, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Glória, São Cristóvão e o município baiano de Higienópolis.

Assim como nos demais estados do nordeste onde houve crescimento de casos, os médicos sergipanos observaram que em 90% deles, as mães tiveram alguma doença provocada por vírus e por isso há uma suspeita de que o surto esteja relacionado ao zika vírus, transmitido pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito que provoca a dengue. O infectologista Mário Andrade Correia alerta, porém, que os indícios ainda são inconsistentes, sobretudo porque o problema pode ser provocado por uma série de fatores, desde desnutrição da mãe, abuso de drogas, álcool, cigarro até infecções durante a gestação, como rubéola, toxoplasmose e citomegalovírus. “Não sabemos ainda se (a doença) é uma consequência direta (do zika vírus), mas estamos na fase de conhecer os casos e eliminar as suspeitas”, observa.

O geneticista Emerson Santana complementa que em alguns casos a virose foi contraída no terceiro trimestre da gestação quando, teoricamente, o cérebro do bebê já está formado. O médico acredita que, neste momento, o mais importante é reforçar as ações de controle.

 A Saúde de Sergipe ainda aguarda as orientações do Ministério da Saúde quantos aos protocolos para os casos de bebês com microcefalia. A pasta acredita que na próxima semana os dados consolidados sobre as ocorrências estejam prontos. O superintendente da MNSL salienta que a doença “não é incompatível com a vida”, ou seja, não costuma ocasionar a morte". Em Sergipe, nenhum óbito foi registrado até o momento. 

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