Samuseiros veem injustiça em valor da indenização para Gualberto
Adilson Ferreira vai entrar com recurso pedindo revisão da sentença
Cotidiano 06/11/2014 13h00

Por Fernanda Araujo

Servidores do Serviço Móvel de Urgência de Sergipe se mobilizam para arrecadar dinheiro, com o objetivo de ajudar o presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância do Estado de Sergipe (Sindiconam), Adilson Ferreira. O sindicalista foi condenado esta semana a indenizar por danos morais o deputado estadual Francisco Gualberto (PT) com o pagamento de R$ 12 mil.   

O condutor de ambulância Alex Silva, filiado ao Sindiconam, e a técnica de enfermagem Neilma Correia, filiada ao sindicato Samu 192, estão organizando uma rifa para arrecadar o valor. A rifa, segundo Neilma, será feita pela Lotérica Federal e será vendida em todas as bases do Samu no estado. Juntamente encaminhará uma nota explicando o motivo e o destino do dinheiro. “Vamos colocar prêmios para no final de dezembro fazermos uma confraternização; caso o valor total não seja coletado, outro evento vai ser realizado pelos servidores”, afirma.

Para os servidores foi injusta a indenização estipulada, mas concordam que o presidente se excedeu ao chamar o deputado de “moleque e manhoso” em um programa de rádio. “Há oito anos não temos reajuste e a justiça concedeu isso contra ele. É verdade que ele (Adilson) pode ter se exaltado, mas será que o outro lado também não foi agressivo? Ele (Gualberto) só atingiu Adilson porque está na linha de frente do sindicato, será que se fosse com outra pessoa seria da mesma forma? Todos os dias somos agredidos por pessoas que não conhecem o nosso trabalho. Ele (Gualberto), como homem público, deveria agregar conhecimento para beneficiar a população como um todo, mas não, fica arranjando problema”, critica Neilma.

Segundo Alex Silva, cada colega de trabalho tem se disposto a ajudar Adilson, doando até uma parte da quantia do salário. “Todo mundo está empenhado porque gostamos muito dele. Sobre a decisão, acho injusta, não dele ter sido punido pelo que disse, mas pelo valor da indenização. Concordo que ele se excedeu, mas o valor é abusivo ao salário que ele recebe. Vai ficar sem comer durantes meses para pagar? Ele é pai de fa

mília, tem dois filhos, tem que sobreviver”, argumenta.

O caso

Enquanto era discutido o reajuste anual dos servidores na Assembleia Legislativa, no dia 2 de abril passado, os servidores ouviam o deputado petista de costas e se irritaram com a declaração dele de que “quem assiste as coisas de costas pode estar olhando com os olhos que enxergam menos”. Por conta disso, o deputado foi chamado em programas de rádio de “moleque e manhoso” por Adilson Ferreira (ao lado). O sindicalista diz estar surpreso com o valor da indenização, já que ganha menos de R$ 1,3 mil, e entristecido com a situação. Para ele, o deputado está arranjando problema com todos os servidores.

“Eu prestei BO na época, mas a justiça não entendeu. Acho um absurdo. Ele, como um ex-sindicalista do PT e eleito pelos trabalhadores, incriminar outro sindicalista entristece a gente, mas infelizmente nem sempre a Justiça é justa no sentido dessa questão do valor. E ele tornando o caso pessoal, tentando atingir as pessoas no meu caso. Vou entrar com recurso para rever o valor da indenização”, afirma.

F5 News tentou falar sobre o caso com o deputado Francisco Gualberto. Na primeira tentativa ele informou que estava fazendo exames e não poderia falar no momento, dizendo ainda que não compareceria à Alese. Retornamos a ligação, mas não atendeu as chamadas. Ao Jornal da Cidade, na edição desta quinta-feira (06), a assessoria do deputado informou que Gualberto exerceu o direito e que o valor da condenação é estipulado pela Justiça.

Fotos: arquivo F5 News/Fernanda Araujo (manifestação dos servidores do Samu durante campanha pelo reajuste)

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