Saiba  como se deu a origem do Dia dos Finados no Brasil
Confira como outros países costumam celebrar a data de uma forma diferente
Cotidiano 02/11/2020 07h00

Um costume antigo, popularizado a partir do século XII, o Dia dos Finados é comemorado nesta segunda-feira (2) em todo o Brasil e é o momento em que a maioria dos simpatizantes da data visitam o túmulo dos seus entes queridos como uma forma de lembrá-los, levando flores ou qualquer outro utensílio de saudação.

A origem do dia remete ao ano de 998. Mas, antes disso já existia o costume de se rezar pelos mortos. A data, 2 de novembro, foi oficialmente instituída por um monge beneditino, Odilo de Cluny, que viveu principalmente na França do ano 962 ao ano 1049.

Segundo o que a história conta e pelos pesquisadores entrevistados pela revista Superinteressante, foi nessa data que o monge ordenou aos clérigos de sua abadia e a todos aqueles que seguissem a “Ordem Beneditina” - mais antiga ordem religiosa católica de clausura monástica que se baseia na observância dos preceitos destinados a regular a convivência social - que rezassem pelas almas dos mortos. O costume se popularizou a partir do século XII, quando deixou de ser algo mais restrito aos fieis da igreja.

A partir daí a cultura já estava enraizada e chegou ao Brasil por meio do catolicismo. No país, o ritual mais comum de celebração do Dia de Finados é a ida ao cemitério. Lá são colocadas flores nos túmulos dos parentes e amigos já falecidos, e se oferecem orações a quem se foi. Também é comum que sejam feitas missas em algumas igrejas em honra ao dia, num espaço ritualístico para que também se reze pelos mortos.

Se aqui no Brasil a data simboliza a lembrança e o legado de quem já se foi, nas culturas de outros países, o dia ganha um viés festivo ou torna-se um momento para reclusão e reflexão. Inclusive, algumas nações juntam a festa do Halloween com o Dia de Finados, tornando a data uma celebração conjunta.

No México, por exemplo, há o costume de fazer grandes festas para homenagear a memória dos mortos. Apesar de chamado "Día de Los Muertos", os festejos se estendem de 31 de outubro a dia 2 de novembro. É comum que, na oportunidade, as pessoas façam uso de fantasias coloridas de caveiras, ou pinturas no rosto, construindo altares dentro das casas e preparam as comidas e bebidas preferidas de quem já morreu.

Diferente do Brasil, o feriado é visto pelos mexicanos como uma data alegre, cujo objetivo é celebrar e relembrar com orgulho as memórias de quem já se foi. Desta forma, o povo mexicano acredita que o legado da pessoa é vivido e reforçado mais uma vez, através dos parentes e amigos.

Outro país com tradição de usar fantasias e fazer um dia celebrativo próximo ao 2 de novembro é os Estados Unidos da América, que celebra o Halloween no dia 31 de outubro. Mas se engana que esse evento tem suas raízes na cultura americana, de fato, a criação dela se deu no Reino Unido.

Seu nome deriva de "All Hallows' Eve". "Hallow" é um termo antigo para "santo", e "eve" é o mesmo que "véspera". O termo designava, até o século 16, a noite anterior ao Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro. Mas uma coisa é a etimologia de seu nome, outra completamente diferente é a origem do Halloween moderno.

De acordo com a tradição, no dia 31 de outubro a proteção que separa o mundo dos vivos e dos mortos está enfraquecida, o que permite que os espíritos ganhem vida e invadam os corpos. Para evitar que isso aconteça, as pessoas começaram a sair fantasiadas, tentando “enganar” os espíritos. Foi assim que nasceu a tradição desta data, que é celebrada até hoje em vários países, com destaque para os Estados Unidos.

Na Espanha é comemorado o Dia de Todos Los Santos. Sendo um feriado nacional, as pessoas retornam para suas cidades natais e visitam os cemitérios nos quais seus entes queridos estão enterrados, assim como no Brasil.

Flores são levadas para os túmulos à noite e um doce especial, chamado "Hueso de Santos" (Osso dos Santos), feito de marzipã, ovos e "syrup" (calda semelhante ao mel, feita de açúcar e água) é comido como sobremesa especial da data. Assim como na tradição mexicana, os espanhóis também usam roupas de tons coloridos e vibrantes no dia.

Edição de texto: Monica Pintosh
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