Rodoviários denunciam desconto no salário de trabalhadores assaltados
Empresa envolvida nega cobrança e afirma que são feitas advertências
Cotidiano 29/02/2016 06h28

Por Fernanda Araujo

Com a média diária de seis assaltos, o sistema de transporte da Grande Aracaju ainda sofre com a violência, não obstante o estresse que a própria situação já trás, os motoristas alegam que estão sendo sujeitos a pagar pelo que é roubado nas ações criminosas.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Município de Aracaju (Sinttra), Francisco de Assis, a empresa Atalaia Transportes adotou um sistema em que ela pede que o cobrador fique com R$ 50 reais no caixa para troco, mas se o valor passou de R$ 50 o funcionário deve colocar o restante da renda do ônibus no cofre. “Ela (a empresa) acha que com isso vai dispersar um pouco a situação dos assaltos nos seus veículos”, afirma.

No entanto, cobradores que são assaltados com uma quantia alta em mãos, a empresa quer responsabilizá-los cobrando aos trabalhadores que paguem pelo dinheiro roubado.  O Sinttra alega que já foram tomadas providências sobre o caso que é ilegal. O Ministério Público do Trabalho, na 20º Região foi comunicado e a situação deve ocorrer em segredo de justiça, conta Assis.

“Isso não pode ocorrer, trabalhador não sai de casa pedindo para ser assaltado. As outras empresas não cobram assalto, só a Atalaia que está com esse regime. Eles acham que quando tiver menos dinheiro, o bandido não vai muito assaltar os carros dela, mas não pode estar responsabilizando o trabalhador que é pego de surpresa. Isso é totalmente ilegal. O Sinttra não acata essa situação”, critica o sindicalista.

Mas, a empresa Atalaia nega que seja feita qualquer tipo de cobrança por conta de assalto, no entanto, confirma que existe a regra de guardar a maior parte do dinheiro no cofre, mas aos que desobedecem são sujeitos a advertências. Pela empresa foi dito que assim como ela, outras são rigorosas em relação ao cumprimento de certas regras, principalmente, no que se refere a segurança dos colaboradores e dos passageiros. Uma dessas regras, principalmente no caso da Atalaia, onde todos os ônibus têm cofres e câmeras filmadoras, é que o cobrador retenha parte do valor da renda em mãos para troco e parte no cofre.

“O cobrador tendo valor no cofre, que tem condição de fazer isso durante o tráfego está colocando em segurança a sua própria vida. Mas, não é feita cobrança, o que existe é uma advertência para que o cobrador cumpra a regra básica, prevenindo a segurança do passageiro e do colaborador, e estabelecer uma ordem de cuidado no trabalho. A advertência é como as que acontecem em casos do colaborador não cumprir o horário de trabalho, é a mesma coisa feita se um colaborador não tratar bem alguém com deficiência, não parar no ponto e etc.”, explica a empresa, através da assessoria de comunicação.

A empresa alega que campanhas são realizadas para incentivar o uso da bilhetagem eletrônica, garantindo menor movimentação de dinheiro. “À medida que o bandido chega ao ônibus e ver que a renda é pequena ele não vai querer assaltar mais aquele ônibus, e não tem como tirar do cofre. O único assalto que consegue fazer é o que está na mão do cobrador”, acrescenta. A empresa Atalaia opera 32% do sistema de ônibus da Grande Aracaju, desses atingiu apenas 12% no número de assalto, comparado às outras empresas, conta a assessoria.

Diante os assaltos nos transportes públicos, a categoria agora espera por ações mais enérgicas do novo comando da Polícia Militar e demais cúpula da Secretaria de Segurança Pública para coibir os assaltos. O Sinttra protocolou na semana passada um ofício pedindo uma reunião juntamente com comando da PM, Setransp e SMTT.

Francisco de Assis quer que tire do papel o projeto de monitoramento de veículos de transporte público, lançado no ano passado pelo antigo gestor da SSP, Mendonça Prado.

“O Setransp já se interessou sobre a situação, estão fazendo levantamento de custo de quanto vai ser o monitoramento, a SSP através do antigo secretário disponibilizou a sala no Ciosp para fazer o monitoramento do transporte coletivo. O mais caro as empresas já tem que são os GPS e as câmeras. Então tem que dar uma qualidade em alguns carros, colocar câmera em 10% nos que não tem, e reduzir a ação dos bandidos. A gente quer intermediação com o novo secretário”, diz.

A categoria espera ainda que sejam intensificadas as abordagens policiais aos ônibus para inibir a ação dos bandidos, “que a PM vá aos finais de linha no Santa Maria, a 607 que liga o Terminal Maracaju e o Mercado que foram campeãs de assalto no ano passado, ela corta Bairro Industrial, Porto Dantas, Japãozinho e Coqueiral”. 

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