Quatro unidades da Polícia Civil são paralisadas em Sergipe
Agentes da polícia e escrivães podem decretar greve; visitas aos presos estão suspensas. Cotidiano 01/12/2016 11h12 - Atualizado em 01/12/2016 12h14Por Fernanda Araujo
Quatro delegacias, uma de Aracaju (SE) e três do interior do estado, estão fechadas para atendimento à população, em protesto dos delegados de Polícia Civil. A categoria esteve, na manhã desta quinta-feira (01), em frente ao Palácio dos Despachos, na avenida Adélia Franco, para cobrar uma reunião com o governador Jackson Barreto. Eles suspenderam todos as visitas e os plantões nessas unidades, que abrigam mais de 300 presos, os quais segundo a Secretaria de Segurança Pública não têm previsão de serem transferidos.
No estado existem cerca de 100 unidades, entre as metropolitanas, especializadas e delegacias municipais. Somente na capital, são 38 incluindo metropolitanas, especializadas e departamentos. Dos plantões que são localizados no interior em cinco delegacias, apenas em Itabaiana continuará funcionando normalmente com o plantão ordinário, onde equipes se revezam. Já os de Propriá, Estância, Lagarto e Nossa Senhora da Glória estão suspensos.
“Esses plantões são dados por delegados que têm suas atividades em outras unidades e laboram extraordinariamente. O atendimento das ocorrências feito pelos delegados que acumularam delegacias vai ser suspenso até que o governo nos receba”, afirma Paulo Márcio, presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adepol).
As unidades foram devolvidas por ofício em comunicado ontem à tarde ao delegado-geral, Alessandro Vieira. A informação é que as ocorrências sejam encaminhadas à sede da regional.
Já na capital, estão mantidos os dois plantões ordinários na 3º Delegacia Metropolitana – plantonista Zona Norte, no bairro Santos Dumont, e na 4º DM – plantonista Zona Sul, conjunto Augusto Franco. Ficam suspensos os plantões sobreaviso na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Com a suspensão, Paulo Márcio acredita que em Aracaju não haverá problemas por conta da quantidade de delegacias e do funcionamento de duas plantonistas à noite. “O problema maior está no interior, mas que assim vem sendo relegado pelo governo, não só no que diz respeito à correção das tabelas de plantão, mas também em razão da falta de efetivo e do acúmulo extraordinário de funções sem previsão legal, sem contrapartida financeira, sem nenhuma garantia para o delegado que labora em duas, três, quatro cidades somando mais de 20 mil habitantes”, ressalta.
Os delegados cobram, antes que os deputados entrem em recesso, que o governador encaminhe à Assembleia Legislativa os projetos de lei da categoria que regulamenta os plantões, reestrutura a carreira e põe fim ao acúmulo de delegacias. Além disso, pedem que seja solucionado o aumento do número de presos em delegacias. “Hoje não tem para onde encaminhar o preso, não tem mais vagas nas delegacias e o Desipe se nega a receber. É uma situação causada pela falta de uma política penitenciária, pela falência do sistema prisional. Nós não podemos sofrer as consequências dessa falta de planejamento”, diz o delegado.
A convite do vice-governador, Belivaldo Chagas, os delegados devem ser recebidos para uma reunião. Mas a categoria cobra um encontro com o governador.
Sinpol
Agentes e escrivães da Polícia Civil também pretendem decretar greve, a decisão deve ser tomada em assembleia nesta sexta (2). Eles reclamam da superlotação nas delegacias, baixo efetivo, desvio de função - quando acumula atribuição de agente prisional- e de que há mais de sete anos estão sem receber reposição de perda inflacionária.
“Todos nós somos maltratados pelo governo, há muito tempo a segurança está sucateada e quem sofre é o cidadão. Como vamos combater e mudar o panorama do estado mais violento do país? O governo faz muito pouco pela segurança pública. O maior responsável é o governo do Estado. Clamamos desde 2015 para resolução de problemas principais, nenhum foi resolvido”, afirma o presidente do Sinpol, João Alexandre Fernandes.

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos

