Quase mil armas são apreendidas e 58 entregues voluntariamente em 2014
Cotidiano 18/12/2014 13h30

Por Fernanda Araujo

O Comitê Sergipano do Desarmamento, responsável pela execução da Campanha Nacional de Desarmamento em Sergipe, apresentou o relatório sobre as armas de fogo entregues pela população voluntariamente. Foram quase mil armas apreendidas pela Polícia Civil e Militar, e recebidas 58 este ano. Segundo o secretário de Segurança Pública (SSP), João Eloy, durante três anos foram entregues 442 armas de fogo, com isso, o Estado de Sergipe tem o maior índice de arrecadação.

Também foi repassado para o comitê um veículo picape Chevrolet S-10, no valor de R$ 125 mil, oriundos de recursos federal e estadual. “O importante não é só a entrega das armas, mas as escolas e instituições visitadas por nosso grupo, conscientizando a população da não utilização dessas armas; conscientizar de forma a lutar contra o crime, dizendo que não use e não venda droga, que não compre CD pirata, tudo isso. A campanha é positiva, a sociedade está contribuindo e tenho certeza que, com a doação da base móvel e dessa viatura equ

ipada, vamos ter mais acesso aos povoados mais longínquos com todo o conforto e segurança, como o Santa Rosa do Ermínio, em Poço Redondo”, avalia o secretário.

Apesar de 58 armas entregues parecerem um número pequeno, o coordenador do Comitê, Fábio Costa, explica que é um dado que está sendo focado, não no recebimento da arma, mas sim nas palestras de conscientização nas escolas, com o objetivo das crianças e adolescentes não serem possíveis possuidores dessas armas no futuro. “Já estivemos em escolas do Santa Maria, no Santo Antônio, Santos Dumont, entre outras de Aracaju, e em vários municípios sergipanos. Atendemos a aproximadamente de 12 a 15 escolas, com a média de público de 200 a 250 alunos”, conta.

Segundo ele, a facilidade de ter acesso à arma de fogo diminuiu com a força do trabalho da SSP e da Polícia Civil, acabando com a feira das trocas e reduzindo a circulação das armas no estado. No entanto, os alvos dos bandidos agora são os vigilantes, autorizados a possuí-las. “Isso reflete positivamente porque a gente percebe qu

e hoje o meliante tem que adentrar até um estabelecimento e roubá-la, isso dá um perfil que a arma na rua, antes de fácil acesso, hoje não se encontra mais”, acredita.

Para o coordenador, mesmo que houvesse menos armas de fogo nas mãos da sociedade civil, não reduziria a violência no estado. “Não é o desarmamento, a SSP e a PC que vão conseguir, sozinhos, diminuir a violência no estado. O que diminui é uma gama de ações envolvendo sociedade civil; o cidadão que deve denunciar através do 181; a educação que deve fazer um trabalho efetivo nas escolas, propagando cultura de paz e colocando em seu programa pedagógico a inclusão social, que precisa fazer ação ao redor e derredor dessas escolas e das comunidades de forma geral; e a segurança pública na prevenção e como ponto afim. Somos uma gota d’água no oceano, mas isso que estamos fazendo hoje reflete futuramente nessa diminuição de violência. A campanha é permanente”, afirmou.

Na apresentação estiveram presentes também o secretário adjunto da SSP/SE, João Batista, Meire Monsuet, delegada de polícia e representante da SSP na coordenação do comitê de desarmamento, e demais integrantes.

Foto principal: SSP/SE

Foto 2 e 3: Fernanda Araujo/F5 News

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