Quase 30 municípios ficam sem delegados em Sergipe
Cotidiano 12/04/2017 15h51 - Atualizado em 12/04/2017 19h08

Por Sthephani Bispo

Com a decisão dos delegados da Polícia Civil de Sergipe de entregar os comandos acumulados de delegacias de forma irregular, conforme aprovado em assembleia na terça-feira (11), a partir de hoje vão ficar sem delegado de polícia 29 cidades do interior do estado, a exemplo de Amparo do São Francisco, Nossa Senhora de Lourdes, Muribeca, Japoatã, Santa Luzia do Itanhy, Arauá, São Miguel do Aleixo e Monte Alegre, entre outras.

Após ocorrer reunião entre governo e representante dos delegados, a Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (Adepol) repudiou o que classifica como ações ilegais e arbitrárias praticadas pelo delegado-geral da Polícia Civil, Alessandro Vieira.

A nota divulgada pela entidade afirma que o delegado "reprime as legítimas e democráticas medidas adotadas na assembleia da terça-feira (11) e que vem coagindo e constrangendo alguns delegados para que cumpram os plantões extraordinários nas delegacias plantonistas do interior". 

Afirma ainda que o delegado-geral se utiliza da expedição de Ordens de Missão e ameaça de encaminhamento dos delegados à Corregedoria-Geral da Polícia Civil pela suposta prática de desobediência de ordem de superior hierárquico. "Com a forma inadequada, o delegado-geral incorre em deplorável prática de assédio moral contra os delegados, justamente no momento em que a Adepol retoma os diálogos com o Governo do Estado", completa.

Alessandro Vieira, em reação, também emitiu nota, na qual considera "inverídicas ou deturpadas" notícias que estão sendo veiculadas na mídia.

"O projeto da Adepol, em síntese, busca uma isonomia com outras carreiras jurídicas do Executivo, em particular a dos Procuradores de Estado. A proposta do Sindicato dos Policias Civis do Estado de Sergipe (Sinpol), por sua vez, busca uma recomposição com base em índices de reajuste anuais não aplicados”, afirmou.

Segundo ele, a atuação do delegado-geral deve ser impessoal e baseada nos interesses institucionais e, acima de tudo, dos cidadãos sergipanos. "Essa gestão da Polícia Civil se caracteriza pela observância indistinta das normas legais, sem direcionamentos ou personalismos", diz Vieira na nota. 

“Evidente que essa postura de trabalho incomoda diversos segmentos da sociedade, historicamente resguardados. Todavia, garanto que o trabalho continuará a ser realizado da mesma forma até o último dia da gestão, com base em princípios éticos e legais inarredáveis”, conclui.

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