Quase 200 pessoas esperam pelo transplante de córnea em Sergipe
Cotidiano 08/01/2017 22h58 - Atualizado em 09/01/2017 00h57Por F5 News
O número de transplantes de córnea caiu em Sergipe no ano passado, enquanto a fila de pessoas à espera subiu e hoje soma quase 200 pessoas.
Esse o único tipo de transplante realizado no estado atualmente. O problema, segundo a Secretaria da Saúde, é que a conta entre doadores e receptores nunca fecha.
Em 2016, o número de pessoas que tiveram a córnea transplantada chegou a 135, dois a menos do que no ano anterior. Já a fila de espera que até setembro do ano passado tinha 185 pacientes saltou para 197.
Segundo o coordenador da Central de Transplantes, Benito Fernandez, aspectos como a falta de informação, a crença religiosa e o preconceito são os principais obstáculos à doação de órgãos.
“As pessoas ainda têm medo de doar, acham que os órgãos vão ser vendidos ou que o corpo vai ficar deformado. Há ainda quem acredite que a religião não permite, mas nenhuma crença religiosa no Brasil condena a doação, pelo contrário. Doar é um ato de amor ao próximo, por isso é importante que os padres, pastores, praticantes do candomblé e outros orientadores religiosos conversem com seus fieis sobre essa importância”, afirma.
Segundo Benito, profissionais da saúde são outros agentes fundamentais para viabilizar o transplante, pois ao suspeitar da morte encefálica do paciente, deve informar à família sobre a possibilidade de doação.
“O médico tem um papel fundamental nesse processo, seja no acolhimento dos parentes, na orientação e na sensibilização da causa”, enfatiza Benito.
Foi através de um transplante que o guarda municipal Bruno Santana de Souza Lima conseguiu recuperar a visão do olho esquerdo. “Quando nasci, houve complicação no parto e deixou sequelas no meu olho. Convivi com limitação na visão até os oito anos de idade, quando recebi o transplante de córnea pela primeira vez. Aos 19 tive falência do órgão transplantado e precisei de um novo procedimento. Entrei em pânico no primeiro momento, mas, graças a Deus, fui transplantado e hoje consigo enxergar novamente. Ver o sorriso do meu filho é um presente maravilhoso. Não tem preço!”, relata Bruno.
“Você permitir ao outro dar continuidade à vida, permitir com que a vida continue a pulsar em outra pessoa, é a maior demonstração de amor ao próximo que pode existir”, completa o guarda.
A doação
O coordenador da Central de Transplantes explica que os órgãos e tecidos são removidos com procedimentos similares a uma cirurgia, e todas as incisões (cortes) são fechadas após a conclusão do procedimento. Tudo é realizado para que a pessoa, em seu funeral, não seja reconhecida como uma doadora por apresentar deformações e cortes visíveis. Pessoas de todas as idades podem ser doadores de órgãos e tecidos.
No caso de órgãos como rim, medula óssea, pâncreas, fígado e pulmão, existe a possibilidade de que se realize o transplante com doador vivo. “A legislação brasileira permite a doação de órgãos entre parentes até quarto grau, com autorização judicial”, informa Benito Fernandez.
Ele explica, ainda, que um potencial doador pós-morte é o paciente que se encontra internado num hospital e tem morte encefálica constatada.
“É aquele doador que estava sob cuidados intensivos, com lesão cerebral severa causada por acidente com traumatismo craniano, derrame cerebral ou tumor, com subsequente lesão irreversível do encéfalo. Tipicamente são pessoas que sofreram um acidente que provocou um dano na cabeça (acidente com carro, moto, quedas, etc)”, detalha.
Logo depois que é decretado o falecimento encefálico, o médico conversa com a família, que pode permitir ou não a doação. A idade do doador é menos importante do que o estado do órgão a ser doado; no entanto, é raro serem usados órgãos de pessoas com mais de 70 anos.
*Com Agência Sergipe

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos
