Professores vestem preto em sinal de luto pela violência nas escolas
Ato aconteceu na escola de SE onde diretora foi agredida com caneta Cotidiano 07/07/2015 18h30Por Will Rodrigues
Os professores da rede estadual de ensino de Sergipe vestiram preto em sinal de luto pelos casos de violência nas escolas. Durante a tarde desta terça-feira (7), os docentes se reuniram na frente da Escola Estadual Senador Lourival Fontes, onde na semana passada um aluno agrediu a diretora Carla Valéria Oliveira, 40 anos, com socos e uma caneta.
Os professores cobram ações efetivas no combate à disseminação da violência no ambiente escolar, pois, segundo a categoria, a situação se tornou recorrente. “A violência passou a fazer parte do cotidiano da escola e não podemos enxergá-la com naturalidade. É preciso construir formas para que a escola seja um local da construção do saber, onde não haja espaço para a violência”, afirmou Ângela Melo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Sergipe (Sintese).
Para Ângela, o Estado precisa envolver a sociedade civil e outras instituições no trabalho de combate à violência no ambiente escolar. “Temos que fazer uma discussão conjunta com organizações como a Universidade Federal de Sergipe, a Secretaria da Segurança e a comunidade a fim de que o projeto pedagógico seja construído coletivamente, a gestão democrática seja aplicada e a gente insira cultura dentro da escola, em suas várias formas, como a música, a dança e o teatro. Além disso, é preciso que o Estado ofereça a estrutura com quadra coberta e laboratórios, por exemplo”, afirmou.
A professora destacou que a agressão física é a consequência de uma série de ações violentas que se desencadeiam diariamente nas unidades de ensino. “Nosso estudantes e professores precisam ser valorizados. Temos até o registro de alunos que são assaltados dentro do próprio colégio. A violência está na sociedade e não vai acabar, mas precisamos de ações que minimizem a sua incidência para que ela não atinja a escola”, comentou.
O caso de agressão da diretora Carla Valéria é o quarto registrado nos últimos 12 meses. No último mês de abril, professores da escola estadual Felisberto Freire, no município de Itaporanga D´Ajuda (SE), foram ameaçados por alunos, que também picharam o colégio. Em março, o carro de uma professora foi incendiado no estacionamento do Colégio Estadual Professor Antônio Fontes Freitas, localizado no conjunto Marcos Freire I, em Nossa Senhora do Socorro. E em setembro de 2014, o professor Carlos Christian foi baleado por um aluno na Escola Estadual Olga Barreto, no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão (SE), e ficou paraplégico.
Caso Lourival Fontes
O menor que agrediu a diretora Carla Valéria foi apresentado ao Ministério Público Estadual nessa segunda-feira (6). O rapaz de 16 anos responderá por lesão corporal e foi encaminhado para a Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip). A diretora já está em casa, mas continua com a saúde física e mental abalada, com dores no corpo e insônia. Ela realizou exames no Instituto Médico Legal (IML) e deve receber uma licença.
Foto: Divulgação Sintese

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