Professor baleado permanece internado em estado grave de saúde
Jovem acusado já foi identificado e ainda está foragido Cotidiano 13/08/2014 16h46Por Tíffany Tavares
O caso do professor Carlos Christian Almeida Gomes, de 33 anos, que foi alvejado na noite desta terça-feira, (12), em intervalo de aula, dentro da Escola Estadual Olga Barreto, no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão (SE), chocou os populares.
De acordo com testemunhas e informações policiais, um estudante de apenas 17 anos é suspeito de ter disparado os cinco tiros contra o docente, não foi encontrado no momento do acontecido e ainda está foragido.
Segundo a assessoria de comunicação do Hospital de Urgências de Sergipe, onde está internado, o quadro de saúde do professor é considerado instável, com possibilidade de graves sequelas. Ainda na madrugada desta quarta-feira, (13), Cristian foi submetido a procedimentos cirúrgicos para retirada dos projéteis e não corre risco de morte.
Em solidariedade ao professor baleado, professores de outras escolas da rede estadual e municipal de ensino, se reuniram na manhã desta quarta-feira, (13) na porta do Hospital de Urgências de Sergipe (HUSE), onde o professor Carlos Cristian Almeida Gomes está internado. O objetivo foi chamar a atenção das autoridades e cobrar mais segurança nas escolas.
A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Sergipe (SSP/SE), o caso foi encaminhado para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e está sendo conduzido pela delegada, Tereza Simony.
A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Educação (Seed) enviou nota de lamento ao episódio e presta solidariedade à família do professor. Leia na íntegra:
“A Secretaria de Estado da Educação (Seed) vem a público se solidarizar com o professor Carlos Cristhian Almeida Gomes e a sua família, pelo incidente ocorrido nas dependências do Colégio Estadual Olga Barreto, na noite da última terça-feira, 12.
O professor foi alvejado por três tiros por um aluno da 8ª séria da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Encaminhado pelo Samu ao Hospital de Urgência de Sergipe, ainda na mesma noite do acidente o professor foi submetido a uma cirurgia e se encontra na UTI.
Ao tomar conhecimento do acidente, a secretária da Educação, professora Hortência Maria Pereira Araujo, determinou de imediato a suspensão das aulas na unidade de ensino e orientou que os assessores da Seed prestassem toda assistência à família e ao professor.
Logo no início da manhã desta quarta-feira, 13, duas psicólogas, o diretor da Rede Qualivida, Silvio Oliveira, e o diretor do Departamento de Educação, professor Manuel Prado, foram ao hospital prestar total solidariedade a família de Carlos Almeida. No final da manhã, após chegar de uma reunião em Itabaiana, a secretária fez uma visita ao paciente e apresentou sua solidariedade à família. Ela também colocou os técnicos da Seed à disposição dos familiares do professor no que se refere a apoio e suporte emocional.
Em reunião no final da manhã desta quarta-feira com o diretor da Escola Olga Barreto, professor Júnior, ficou definido que a partir desta quinta-feira, 14, a equipe de psicólogas da Seed vai iniciar um trabalho de acolhimento junto aos professores e servidores da escola. A ação vai se realizar nos três turnos e tem como propósito auxiliar os profissionais a desconstruir os possíveis traumas que o acidente tenha provocado. Os alunos também serão assistidos e a secretaria colocou seus profissionais de psicologia para atender professores e servidores que precisarem de uma assistência individualizada.
A Secretaria de Estado da Educação também decidiu reforçar os programas de combate à violência e promoção da cultura da paz na escola. Neste momento a coordenação dos Programas Escolas Promotoras da Paz e Cidadania e Paz nas Escolas estão organizando uma ação emergencial na unidade de ensino onde aconteceu o episódio. O objetivo da secretaria é disseminar a cultura da paz e o enfrentamento à violência através de ações educativas e pedagógicas, mostrando ao aluno, que é preciso desarmar-se da violência e cultivar a paz.
É importante ressaltar que esta escola não tem histórico de violência de qualquer natureza. O episódio da última terça-feira surpreendeu a toda a comunidade escolar, visto que esta desenvolvia seus projetos pedagógicos com uma relação de respeito mútuo entre professores, gestores e estudantes.
Sintese
Em nota pública o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), informou que os professores e a sociedade sergipana ficaram consternados com a cena bárbara de tentativa de homicídio com arma de fogo de um aluno contra o professor Carlos Cristian.
“Todas as cenas de violência são por si só repugnantes, no entanto em se tratando do local onde ocorreu a tentativa de homicídio, nos deixam imensamente tristes, mas cientes de que fatos de violência na escola, simples ou graves, são recorrentes em nossas escolas e denotam o fracasso e a destruição da política educacional do Governo de Sergipe, que deriva de várias décadas, além de uma política de segurança que não consegue dar respostas ao aumento da violência na sociedade”, diz a nota.
O Sintese acrescentou que as escolas estão órfãs de políticas pedagógicas que promovam a interação, a sociabilidade e a discussão coletiva dos seus problemas. Leia parte da nota:
“As politicas de competitividade e meritocracia que a Secretaria de Estado da Educação - SEED sempre tentou implantar têm levado às escolas a cada vez mais difundirem o individualismo e o preconceito, que acaba gerando a violência contra todos.
Por outro lado, a política de segurança pública não tem funcionando no sentido de evitar a violência no entorno das escolas, professores e estudantes são assaltados rotineiramente, e no caso em tela, é inadmissível que jovens tenham acesso à armas com tanta facilidade, pois não se combate o tráfico, nem há uma política efetiva de desarmamento.
Chega de Violência! Queremos uma escola que propicie a sociabilidade, a interatividade e o ensino. Nossas escolas estão tristes, e tristeza nunca rimou com aprendizagem. Nossos professores estão desassistidos de orientação pedagógica de toda sorte, inclusive de como lidar com problemas de ordem social ou psicológica que nossos alunos são acometidos. Os estudantes são também vítimas desse modelo de sociedade e de escola e infelizmente a violência dessa vez partiu de um estudante contra um professor, mas invariavelmente os dois são as maiores vítimas”.
Relembre o caso
O professor Carlos Cristian Almeida Gomes, 23 anos, foi alvejado por cinco disparos. Após receber a nota de uma prova de biologia, um jovem, não satisfeito com a nota baixa, atirou pelas costas contra o docente, na sala dos professores da Escola Estadual Olga Barreto, no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão (SE). Christian foi socorrido e levado às pressas para o Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE). Dentre os tiros, dois acertaram as costas, um a mandíbula, um na coxa e outro no braço do professor.
Foto: Whatsapp
*Matéria Atualizada em 15/08 às 07h25 para correção.

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