Prefeitura de Aracaju vai contratar médicos para cobrir grevistas
Cotidiano 07/03/2017 10h16 - Atualizado em 07/03/2017 15h47Por Will Rodriguez e Fernanda Araujo
A Secretaria de Saúde de Aracaju decidiu contratar médicos para cobrir a escala dos profissionais concursados que estão em greve há mais de 40 dias. Ao todo, 88 profissionais devem ser contratados a partir desta terça-feira (7).
A contratação vai acontecer por meio de Recibo de Pagamento a Autônomo (RPA) e, segundo o secretário da Saúde, André Sotero, é uma atitude desesperada. “Não posso deixar a população continuar desassistida”, declarou à imprensa.
Pelas contas da secretaria, a contratação destes 88 profissionais por uma carga de 20 horas deve custar cerca de R$ 700 mil. Atualmente, a folha de pagamento dos 424 médicos concursados é de R$ 4 milhões. “No último mês pagamos R$ 1,6 milhão aos contratados por RPA, fizemos uma economia de R$ 400 mil entre janeiro e fevereiro, e nosso intuito era diminuir, mas surgiu essa necessidade”, informou Sotero.
Em entrevista ao F5 News, o presidente do Sindicato dos Médicos (Sindimed), João Augusto Oliveira, classificou a medida da prefeitura como desrespeitosa e ilegal. “É uma contratação considerada ilegal por parte do Ministério Público e do Tribunal de Contas e vamos oficiar estes órgãos fiscalizadores para que eles tomem uma postura para garantir o uso correto do dinheiro público”, disse.
Segundo o sindicalista, o custo dessas contratações também supera o valor que seria necessário para pagar o salário de dezembro aos médicos que não fizeram o empréstimo de antecipação.
“Com cerca de 500 mil reais a prefeitura quitaria a folha dos grevistas e acabaria a greve, mas ela prefere gastar mais, o que denota má gestão do dinheiro público”, afirmou Oliveira, acrescentando que desde o dia 20 de janeiro o canal de negociação estaria fechado.
Os trabalhadores cruzaram os braços em repúdio ao parcelamento do salário do mês de dezembro em 12 vezes. A categoria tentou reduzir o número de parcelas, mas a proposta da prefeitura passou pela Câmara de Vereadores sem dificuldade.
Com a paralisação, cerca de quatro mil atendimentos deixam de ser realizados por dia nas 44 unidades de saúde e nos dois hospitais municipais.

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