Prefeito de Capela se diz pressionado pelo Governo
Polêmica envolve a exploração de carnalita no município Cotidiano 17/01/2014 15h30Da Redação
Devido às informações publicadas pela imprensa nos últimos dias, sobre a negativa da assinatura de concessão de solo para exploração de carnalita, o prefeito de Capela (SE), Ezequiel Ferreira Leite Neto, divulgou uma nota nesta sexta-feira (17), explicando sobre o caso.
Segundo a nota assinada pelo gestor municipal, está havendo uma pressão por parte do Governo do Estado em assinar, de todas as formas, o documento que concede à empresa Vale o uso do solo do município de Capela para exploração da carnalita, minério utilizado para a produção de potássio. No entanto, segundo a nota, não há apresentação de qualquer justificativa documental técnica pela mesma empresa, mostrando o porquê do Governo do Estado anunciar que a usina ficará instalada no município vizinho de Japaratuba, sem levar em consideração que 80% de toda a reserva está em subsolo capelense.
Para ele, é uma injustiça com a população de Capela. “Capela sofreria prejuízos incalculáveis caso aceitasse, como prefeito, que a usina seja implantada em Japaratuba’, afirmou Ezequiel Leite Neto na nota, que segue na íntegra.
“É incompreensível tal decisão defendida pelo Governo de Sergipe, uma vez que o local onde se pretende construir a usina fica a menos de 10 metros do limite entre Capela e Japaratuba, o que reforça a tese de que nosso município estaria sendo vítima de uma decisão unicamente política, sem nenhum critério técnico.
O próprio Governo de Sergipe, consciente de que a fábrica indo para Japaratuba, causaria um enorme prejuízo financeiro para Capela, apresentou um Projeto de Lei na Assembleia Legislativa para minimizar os impactos negativos nas contas do nosso município. No entanto, ao analisar o PL, a doutora Juliana Campos, especialista em Direito Tributário, mostrou que o projeto não tem consistência jurídica e pode ser facilmente derrubado em favor de Japaratuba. A outra ideia defendida pelo Governo, de valorizar a salmora, um subproduto da exploração da carnalita, com dois CNPJs da mesma empresa, mostrou-se igualmente frágil e sem argumentos jurídicos suficientes à sua sustentação.
Consequentemente, não restaria outro opção para Capela a não ser assumir todo o passivo ambiental e social com a saída da fábrica para Japaratuba. Serão mais de 20 anos de exploração de um minério sem que Capela receba o que lhe é devido, e nenhuma decisão importante como essa, que terá consequências para o futuro do nosso povo, pode ser tomada de forma açodada ou a partir de pressões,
Somos um município pobre, e se temos um percentual significativo de potássio em nossas terras, os lucros obtidos com a carnalita devem ficar na cidade. Capela já perdeu a exploração do minério silvinita para Rosário do Catete e agora estão querendo fazer a mesma coisa com carnalita. Tenho absoluta certeza se essa disputa fosse entre Sergipe e a Bahia, por exemplo, e Sergipe detivesse 80% da matéria-prima de um minério, seus governantes não permitiram que essa fábrica fosse para território baiano, gerando renda e benefícios para o Estado vizinho.
Da mesma forma, como representante maior do povo capelense, não existe outra decisão a tomar a não ser esta: garantir que a riqueza que nos foi dada seja revertida em benefício do nosso povo. Esta não é uma decisão pessoal, mas tomada após ouvir a comunidade em várias audiências públicas, que se organizou através do Movimento “A Carnalita é nossa”, o que foi extremamente importante para esclarecimentos a respeito do tema. Deixo aqui meu agradecimento aos coordenadores do Movimento, em especial a Jorgival Santos, Jailson Correia, Professor Jota, Sr. Argemiro e Sr. Antídio, que souberam conduzir todas as discussões de forma saudável e apolíticas.
Quero esclarecer a todos os sergipanos, que a decisão tomada pela população de Capela não terá qualquer efeito numa possível desistência da Vale nesse projeto. Nossa reserva é uma das três maiores da América Latina e altamente lucrativa para os projetos da empresa. Sendo assim, acreditamos que o bom senso prevalecerá em uma nova decisão do Governo em optar por Capela, igualmente sergipana como Japaratuba. Se esta continuar sendo a decisão política do Governo, aguardaremos o futuro político de Sergipe, para que naturalmente, a justiça seja feita com todos os filhos e filhas do nosso município. DEUS FOI TÃO GENEROSO EM CONCEDER TAMANHA RIQUEZA MINERAL PARA O NOSSO MUNICÍPIO, QUE CONTINUAREI DEFENDENDO ESSA RIQUEZA ATÉ A MORTE EM BENEFÍCIO DO POVO CAPELENSE.”

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