População se revolta com morte de homem na porta de unidade de saúde
“Botei meu pai na carroça e fui empurrando até o posto”
Cotidiano 25/08/2014 11h55

Por Aline Aragão

O descaso com a saúde pública revoltou os moradores do conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão (SE), na manhã desta segunda-feira (25). O pedreiro José Augusto da Silva, de 53 anos, morreu na porta da Unidade de Urgência e Emergência 24h do conjunto, sem atendimento médico.

Segundo o servente de pedreiro Sérgio Santos da Silva, que é filho da vitima, o pai passou mal em casa, no Tijuquinha,  por volta da meia noite, “ele reclamava de muita dor no estômago, minha mãe deu um chá, mas não passou”, informou o filho e disse também que a família chegou a ligar para o serviço de atendimento móvel de urgência (SAMU), mas sem resposta, resolveram levar o pedreiro por contra própria à unidade de saúde que fica no conjunto Eduardo Gomes.

A família conta que chegou ao local às 2h da manhã, e encontraram o portão da unidade de saúde fechado. Ao chamar, o vigilante apareceu, mas sem abrir o portão, disse que iria olhar se tinha médico e se tinha alguém acordado. “Botei meu pai na carroça e vim empurrado até aqui, pra ele morrer desse jeito”, lamenta Sérgio.

O servente de pedreiro disse ainda que diante da informação da ausência do médico, a família pediu que fosse liberada a ambulância para que o pai fosse transferido para outro lugar, mas a informação passada é de que o veículo não estava na unidade.

Vizinhos do posto, que testemunharam o desespero da família, voltaram a ligar para o Samu, que chegou ao local por volta das 5h, e constatou o óbito. Revoltados, familiares do seu José e a população do conjunto tentaram invadir o posto, obrigando funcionários entre médicos, enfermeiros e vigilantes pedirem abrigo na unidade policial que fica do outro lado da rua.

A polícia foi acionada e ficou de guarda na porta da unidade de saúde para impedir que houvesse depredação. O corpo dentro da carroça permaneceu no local até às 8h30 da manhã, até ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

A técnica em enfermagem Patrícia Santos disse que chorou ao presenciar a cena. Para ela, houve negligência e omissão de socorro. “É triste ver um posto que é 24h fechado. Somos formados para trabalhar e servir à população; quem quiser dormir que fique em casa ou mude de profissão”, desabafou.

O secretário de Saúde do Município, Fernando Rodrigues, esteve no local, mas foi impedido pelo secretário de Comunicação, Robson Santana (foto ao lado), de falar com a imprensa. Rodrigues ficou o tempo todo dentro da unidade policial e ao sair, tentou agredir com a porta do carro, alguns jornalistas que tentaram se aproximar.

Segundo o assessor de comunicação, os fatos ainda serão apurados e o secretário não pôde falar, por não ter informações concretas sobre o que aconteceu. Santana disse também que segundo informações preliminares, os funcionários da unidade não sabiam o que estava acontecendo, e que em nenhum momento foram chamados para atender o paciente.

Reclamações

No meio da confusão surgiram vários populares com histórias para contar sobre a falta de atendimento, como a doméstica Marleide Santos Souza (foto ao lado), que toma remédio controlado para epilepsia e está desde maio sem conseguir marcar um exame."Isso é um descaso, a gente vem aqui porque precisa, mas é sempre assim", relata.

Quem também passou pelo descaso dos profissionais da saúde na unidade foi a dona de casa Consuelo Pereira Resende, de 57 anos. Ela sofre com bronquite asmática e conta que chegou com uma crise na unidade, por volta das 17h da última sexta-feira (22), e só foi atendida às 20h depois que o marido foi até o posto policial reclamar.

São muitas às reclamações de quem precisa dos serviços nesta unidade de saúde. Além da demora no atendimento e da falta de médicos, a população do conjunto reclama também das condições precárias em que se encontra a posto, como banheiro sem funcionar e falta de água para beber.

 

Fotos: Aline Aragão

  

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