PF desarticula grupo de extermínio que era liderado por Zé Augusto
Operação Poço Vermelho prendeu 7 pessoas, entre elas 3 policiais
Cotidiano 03/12/2014 15h00

Por Will Rodrigues

A operação Poço Vermelho da Polícia Federal, desencadeada nesta quarta-feira (3), para desarticulação de grupo de extermíno –liderado pelo ex-presidiário Zé Augusto, morto em outubro - que agia nos estados de Sergipe e Bahia,  cumpriu 24 mandados judiciais. Foram efetuadas sete prisões, aproximadamente 15 conduções coercitivas, além da apreensão de 11 armas, sendo cinco pistolas, dois revólveres e quatro espingardas.

As investigações foram iniciadas no mês de maio e estão sendo conduzidas pela Unidade de Repressão a Crimes Contra a Pessoa da Divisão de Direitos Humanos da PF. Hoje, 120 policiais participaram da operação com diligências nas cidades de Poço Verde, Simão Dias, Boquim, Lagarto, Aracaju e também nas cidades baianas de Cícero Dantas e Heliópolis.

De acordo com o Chefe da Unidade de Repressão a Crimes contra a Pessoa da PF, o delegado Milton Rodrigues Neves (foto ao lado), a atuação de uma milícia privada responsável pelo envolvimento em diversos homicídios motivou a investigação. “Foi encaminhada à PF, uma lista negra contendo mais de vinte nomes de pessoas que estavam marcadas para morrer. Dessas, nove foram executadas cruelmente”, afirma.

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos presos – entre eles, um policial militar e dois civis - e dos conduzidos coercitivamente, que foram levados à sede da Superintendência da PF em Sergipe . “Os mandados de prisão foram cumpridos contra aqueles sobre quem nós tínhamos convicção da participação na milícia. As demais pessoas foram trazidas na condição de testemunha para serem ouvidas, pois sabiam da existência do grupo e de alguma forma se comunicaram com os integrantes dele. Elas podem vir a ser indiciadas futuramente”, esclarece o delegado Milton Rodrigues.

Zé Augusto

Esse grupo de extermínio tinha como principal líder o ex-presidiário José Augusto Aurelino Batista, 41 anos. Ele foi morto no último dia 14 de outubro, durante um suposto confronto com policiais civis, em Poço Verde. Três das sete pessoas presas hoje, entre elas, um policial estariam envolvidas com a ação que culminou na morte de Zé Augusto.

“Zé Augusto tinha uma rede de pessoas que colaboravam, se cercando de todas as maneiras para evitar que chegassem ate ele, pois tinha mandado de prisão em aberto. Eles atuavam de forma  muito camuflada. Trabalhavam supostamente com carros de som e utilizava esse serviço para vender uma falsa segurança. Ele era muito respeitado na cidade por ser considerada uma pessoa que estava ali para fazer justiça”explica Neves.

O delegado ainda enfatiza as dificuldades para se afirmar a existência de contratantes. “É difícil demonstrar que houve a figura de contratantes pela maneira dissimulada como eles agiam e mesmo porque em razão do respeito a população tinha por Zé Augusto, muitas pessoas contratavam de forma oculta. Onde o estado não atua, a milicia vem ocupando o seu espaço com  esse discurso de que estaria fazendo limpeza social, as pessoas passaram a aceitar o grupo como algo valioso”, pontua Milton.

De acordo com a PF, os investigados serão ouvidos e em seguida, os presos preventivamente serão encaminhados ao Complexo Penitenciário de Aracaju e os depoentes em condução coercitiva serão liberados. Após comprovação, todos responderão na medida do seu envolvimento nos crimes de homicídio, constituição de milícia privada, posse, porte e comércio ilegal de armas e munições.

Fotos: Grupo F5 News Notícias /  Will Rodrigues / Arquivo F5 News

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