Pediatra orienta como agir nos casos de engasgo em crianças
A manobra de desobstrução só deve ser realizada com a criança consciente
Cotidiano 18/08/2020 18h30

Dados publicados pelo Ministério da Saúde apontam que, em 2018, 791 crianças de até 14 anos morreram por obstrução respiratória. Desse total, 600 (mais de 75% dos casos) tinham menos de um ano de idade. Por esse motivo, o engasgo, apesar de ser uma situação bastante comum, principalmente em crianças com pouca idade, deve ser considerado pelos responsáveis legais como uma situação de urgência.

O médico responsável pela pediatria da Rede de Urgência e Emergência da Capital, William Barcelos, orienta que a primeira coisa a ser feita pelos pais é ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192 para que a criança receba os cuidados da maneira mais rápida possível.

“Em um momento como esse, cada segundo conta. Assim que os pais entrarem em contato com o Samu, eles devem observar se a obstrução é parcial ou total. Caso seja parcial, eles imediatamente devem iniciar as manobras de desobstrução. O bebê deve ser colocado de bruços em cima do braço e receber cinco compressões entre as escápulas (no meio das costas). Em seguida, o bebê deve ficar de barriga para cima, ainda sobre o braço, e receber mais cinco compressões sobre o esterno (osso que divide o peito ao meio), na altura dos mamilos”, orientou o médico.

Mas Barcelos alerta para um erro muito comum, que pode acabar piorando toda situação. “Se o objeto ou alimento não estiver visível, é muito importante não tentar tirar com as mãos, pois esse ato pode empurrar ainda mais o que impede a respiração, e isso agravará ainda mais o quadro. Nesses casos, a manobra deve ser constante até a chegada dos profissionais de urgência e emergência”, complementou.

Agravamento

A manobra deve ser realizada somente enquanto a criança estiver consciente. Em casos de perda da consciência, com tons de pele arroxeados e parada total da respiração, o procedimento deve ser a massagem cardíaca com aproximadamente 100 compressões por minuto, sempre levando em consideração o controle da força em relação ao corpo da criança.

“É importantíssimo que a massagem seja constante até a chegada do serviço de urgência. Se mais de um adulto estiver acompanhando a situação, e o fato ocorrer próximo a um hospital, a criança pode ser levada, desde que os procedimentos continuem dentro do veículo. Mas atenção, essa situação é de urgência. Logo a unidade que deve ser procurada é um hospital, onde casos dessa natureza serão priorizados e tratados com maior amparo estrutural e técnico”, complementou Barcelos.

Fonte: SMS

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