Pacientes oncológicos voltam a cobrar regularização do tratamento
MPE vai ajuizar ação criminal contra secretário da Saúde de Sergipe Cotidiano 01/02/2016 16h40Por Will Rodrigues e Fernanda Araujo
No último sábado (30), a jovem Ivinha Leite, 22 anos, perdeu a guerra contra o câncer. Ela era uma das integrantes do grupo Mulheres do Peito, que reúne sergipanas em tratamento do câncer e há quatro meses estava na fila de espera para realizar a radioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SES), serviço que no Estado é ofertado no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse). Nesta segunda-feira (1º) as demais integrantes do Mulheres do Peito vestiram preto e foram protestar no Ministério Público Estadual (MPE). Durante uma audiência extrajudicial para discutir os problemas no tratamento dos pacientes oncológicos, o promotor Antônio Fortes salientou que a demora em conseguir passar pelas sessões de rádio levou Iva à morte. “Morreu por clara omissão do Estado porque não estava sendo tratada; que a morte dela não tenha sido em vão, mas estimule o Estado a tomar uma atitude mais ativa”, disse.
Segundo o promotor, o Estado tem descumprido duas ordens judiciais que determinam a oferta do Tratamento Fora de Domilício (TFD) e a instalação de um segundo aparelho de radioterapia. Pelo que os promotores Antônio Fortes e Fábio Viegas classificam como “desassistência”, o MPE pretende ingressar com uma representação criminal contra o secretário de Estado da Saúde, Zezinho Sobral. “Talvez seja a única forma de conseguir que os pacientes oncológicos sejam dignamente assistidos, porque hoje a assistência é indigna”, salientou Fortes. A SES só deve se pronunciar sobre a representação quando o gestor da pasta for notificado oficialmente.
Atualmente apenas um aparelho para radioterapia atende todos os pacientes do SUS no Estado. O equipamento já parou de funcionar várias vezes nos últimos meses e, além disso, há uma fila de mais de 300 pacientes aguardando para também começar o tratamento. Um deles é Nivaldo Venâncio Neto, 57 anos. Desde 2011, a família do aposentado tenta uma vaga para que ele possa começar a radioterapia, mas ele tem 180 pessoas à sua frente na fila. Enquanto não chega sua vez, toma um remédio a cada três meses que serve apenas como paliativo. Hoje, a filha de seu Nivaldo, Tarciana Bastos Venâncio Silva, procurou a médica para pedir um requerimento de urgência, mas recebeu uma resposta negativa, porque segundo ela, a médica teria dito que o caso do pai dela não é o mais grave. “Existe câncer sem ser de urgência?”, indaga.Uma das alternativas para estes pacientes seria realizar o tratamento em outro estado, o TFD. Em setembro do ano passado, a Secretaria da Saúde iniciou as tratativas com a Prefeitura de Salvador para encaminhar pacientes à capital baiana, mas até agora não há confirmação do Município e nem prestadores de serviços interessados, apesar de já haver recursos garantidos para cobrir as despesas dos pacientes. “O Estado pode oferecer transporte, passagem, ajuda de custo, mas não há prestador (de serviço), na prática não há o tratamento fora de domicílio”, considerou o promotor Antônio Fortes.
Outra alternativa é a utilização de duas novas máquinas de radioterapia. A primeira no Huse, cuja previsão de instalação é para outubro de 2016. “Vai demorar muito a ser instalado e a gente não quer que daqui para outubro várias pessoas morram como está acontecendo”, ajuizou Fortes. “(A instalação) demanda uma técnica muito grande em relação a sua ambiência, 120 dias é um prazo insuficiente, menor até que o cronograma do próprio Ministério da Saúde para implantação desse bunker (local onde o equipamento será instalado), ele começou em novembro passado e vai terminar em outubro desse ano”, disse a diretora operacional da Fundação Hospitalar de Saúde, Márcia Guimarães.A outra máquina deve ser instalada no Hospital de Cirurgia, mas não há previsão e segundo os promotores o atendimento a estes pacientes não é uma obrigação dessa unidade, mas sim do Estado. No entanto, para a diretora da FHS seria a opção mais rápida. “O Hospital de Cirurgia já recebeu verba para adquirir o aparelho, fez convênio com a SES para receber um valor referente à adequação da obra e já recebeu. Há dois equipamentos para serem efetivados em 2016, sendo que o mais próximo a gente espera que seja o do Cirurgia porque está bem mais avançado quanto à compra e a ambiência”, aponta Guimarães.
Na audiência, a SES informou que até o mês de setembro do ano passado, o aparelho de radioterapia ficou sem funcionar 102 dias em função de problemas no chiller, um equipamento que faz o resfriamento da máquina. Para não sobrecarregar a máquina, ela passou a ser utilizada em apenas dois turnos e, desde então, não apresentou mais problemas. Entretanto, os pacientes alegam que sem o terceiro turno, o número de sessões realizadas por dia que era 96 caiu para 50, mas os técnicos da SES identificaram que, com a mudança, o número de atendimentos não foi prejudicado. Agora, a SES espera adquirir um novo chiller para verificar a possibilidade de retomar as sessões do terceiro turno, conforme informações da diretora da FHS, Márcia Guimarães.
Nesta segunda, a máquina está sem funcionar e a previsão de retorno é para esta terça-feira (2). Enquanto isso, os pacientes que já estão em tratamento e os que ainda aguardam na fila seguem tentando manter a esperança e pedindo uma solução, o mais breve possível. “É uma angústia o que a gente vive. O Estado não tem compromisso com os pacientes oncológicos. Se não tiver o TFD e colocar o terceiro turno a fila não anda e pacientes vão morrer”, lamenta Sheyla Galba, uma das representantes do Mulheres do Peito.
Foto 1: reprodução facebook
Fotos 2,3 e 4: Fernanda Araujo/F5 News

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