Oncologia: interação de fitoterapia com medicamentos pode trazer riscos
Conclusão é de estudo feito na Universidade Federal de Sergipe
Cotidiano 05/03/2016 19h30

A fitoterapia e as plantas medicinais estão sendo utilizadas cada vez mais pelos pacientes oncológicos como forma de controle da doença. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) aponta que 60% dos pacientes oncológicos do Sistema Único de Saúde (SUS) e 50% dos pacientes da rede privada utilizam plantas medicinais junto com medicamentos da quimioterapia. Para a doutora em Farmacologia Adriana Andrade Carvalho, essa interação pode causar sérios riscos para a saúde do paciente.

O estudo vem sendo realizado pelo Grupo de Pesquisa do Laboratório de Pesquisa em Oncologia Clínica Experimental com o financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE). A coordenadora do projeto, Adriana Andrade, explica que um trabalho inicial já estava sendo realizado no município de Lagarto com o uso das plantas medicinais. A partir dessa pesquisa, foi constatado que o câncer é a doença mais prevalente na região e que muitos pacientes oncológicos utilizam plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos durante o tratamento do câncer.

“Cerca de 40% dos pacientes utilizavam plantas medicinais junto com os medicamentos da quimioterapia. A partir desse dado alarmante, visto que as plantas medicinais podem interagir com os medicamentos, decidimos expandir a nossa pesquisa focando só em pacientes oncológicos, que é o que estamos realizando aqui em Aracaju”, completou a pesquisadora Adriana.

Riscos

A interação das plantas medicinais e dos fitoterápicos com os medicamentos da quimioterapia pode trazer sérios riscos para o paciente. A pesquisadora Adriana Andrade explica que o paciente oncológico faz uso de vários medicamentos, tanto aqueles utilizados para tratar o tumor, tanto os medicamentos de suporte que utilizamos para mediar as reações adversas do paciente. Algumas reações já estão previstas na literatura como explica a pesquisadora.

“Com os dados já coletados até o momento, já conseguimos observar algumas interações medicamentosas, como a interação causada entre  Capim-Limão e a Ciclofosfamida. Essa planta pode tanto aumentar a concentração plasmática quanto diminuir, resultando ou na ineficácia do tratamento quanto no aumento dos efeitos adversos. Alterações na biodisponibilidade do quimioterápico é preocupante principalmente por se tratar de drogas com baixo índice terapêutico, isto é, a dose terapêutica está próxima a dose letal”, pontuou.

A pesquisadora ainda aponta outras interações perigosas para o  paciente. A babosa, por exemplo, interage com diurético, que é um medicamento de suporte que os pacientes utilizam. A reação é grave, pois a babosa pode aumentar a excreção de potássio, que o diurético já libera, e pode causar insuficiência respiratória. A interação de duas plantas medicinais também pode causar riscos. Segundo a pesquisadora Adriana Andrade, uso da erva cidreira e da camomila juntas pode aumentar o nível sedativo acima do nível normal. O uso da camomila e do maracujá também pode provocar a coagulação sanguínea.

Pesquisa

O estudo está sendo realizado na rede pública no Hospital Cirurgia e no Hospital urgência de Sergipe (Huse). Na rede particular, quatro clínicas em Aracaju participaram do estudo. Ao todo, 650 pacientes oncológicos participaram da pesquisa. Durante o mapeamento, foi possível constatar que as plantas medicinais mais utilizadas pelos pacientes são a erva cidreira (43,29%), camomila (39,02%) e boldo (29,89%). Já os medicamentos fitoterápicos mais utilizados são a própolis (3,05%) e avelós (1,83%).

A pesquisadora Adriana Andrade destaca a importância do mapeamento desses pacientes oncológicos para o uso racional das plantas medicinais e dos fitoterápicos. “Para a saúde pública é muito importante porque a Organização Mundial da Saúde já vê as práticas integrativas complementares como terapêutica. É também um estímulo porque faz parte da cultura, apesar de defender muito essa questão da cautela do paciente oncológico, quando pegamos um paciente com esse estigma de dor e morte percebemos que o paciente vê na planta medicinal como uma forma de controle da doença. São pacientes que psicologicamente estão muito sensibilizados. É complicado tirar isso do paciente, por isso é importante uso racional”, finaliza.

Fonte: Fapitec

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