Óleo do alecrim-de-tabuleiro é testado para fins agropecuários
Cotidiano 19/01/2015 18h13

As plantas medicinais vêm ganhando espaço como fonte de compostos bioativos em pesquisas científicas. Uma equipe multidisciplinar composta por pesquisadores e instituições de pesquisas em Sergipe vem desenvolvendo estudos com óleo essencial de Lippia Gracilis. A Lippia Gracilis é uma vegetação muito encontrada no semi-árido sergipano, típica da região Nordeste e conhecida como alecrim-de-tabuleiro.

O principal objetivo da pesquisa é elaborar produtos agropecuários com plantas medicinais que sejam eficientes e não coloque em risco à agricultura orgânica. A pesquisa foi submetida ao edital do Programa de Desenvolvimento Científico e Regional (DCR), programa desenvolvido pela  Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica de Sergipe (Fapitec/SE).

Fruto de trabalho intenso, pesquisadores da Embrapa Tabuleiros Costeiros e a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), com o apoio da Universidade Federal de Sergipe ( UFS) e do professor e supervisor do projeto Marcelo Mendonça, os pesquisadores vêm executando a pesquisa há um ano com óleo essencial de Lippia Gracilis visando a criação de produtos agropecuários no combate aos fungos, bactérias, carrapatos e insetos em geral.

De acordo com a pesquisadora e coordenadora do projeto Elizangela Mércia (foto ao lado), a planta Lippia Gracilis ( alecrim-de-tabuleiro) é um tipo de alecrim que além de ser uma planta atrativa, contém cheiro agradável e é fácil do produtor conduzir. “Percebemos que a Lippia Gracilis não tem ataque de insetos e nem patógenos. É uma planta que nós colocamos no campo e ela se desenvolve sem problema nenhum, então a partir daí vimos que ela poderia ter um potencial de uso como medicamentos de produtos agrícolas.”, explica.

Elizangela Mércia ressalta que os primeiros experimentos estão sendo feito in vitro que é justamente para saber se o carrapato, os fungos da laranja e do coqueiro vão resistir à ação do óleo. “É nesses três aspectos que estamos desenvolvendo um produto em si. Nós primeiros testamos os carrapatos. Já no coqueiro nós fizemos teste em laboratório e agora estamos infectando as mudas, percebemos que o óleo tem uma ação muito forte com pequenas quantidades utilizadas, questão de miligrama de óleo já mata o fungo que é a resinose do coqueiro. Nós trabalhamos infectando tanto as mudas quanto as plantas adultas que esses fungos atacam. A fase da infecção é para saber o potencial do produto se realmente funciona como também identificar se o produto vai causar algum problema ou danos nas plantas”, ressalta.

Segundo Elizangela Mércia, a pesquisa é muito importante para o estado de Sergipe. “A importância dessa pesquisa vem a partir da planta por ser medicinal e muito comum em nosso estado. Além disso, é muito fácil de plantar, fácil de conduzir. É uma planta que não exige adubação química e resisti às altas temperaturas então é muito fácil o produtor ter suas terras. Vimos que o produto oriundo dessa planta vai para beneficiar diversas áreas, tanto o pequeno produtor qunato aos demais produtores. Além de ser o produto barato vai funcionar como fitoterápicos, pois não contém produtos químicos que possa deixar resíduos”, destaca Mércia.

A pesquisadora explica ainda que a resinose do coqueiro atinge todo estado de Sergipe e é uma doença problemática, pois mata toda produção de cocos. “O fungo não mata a planta de uma vez, ele vai debilitando a plantação aos poucos. Uma planta perene como coqueiro é muito complicado porque se for ter 1000 mil cocos por hectare, não irá produzir essa quantidade. Vai diminuir gradativamente metade da produção, depois 40% até cair toda produção. Já a podridão floral dos citros da laranja derruba a folha e a flor ainda em formação”,  explica.

Resultados

Os pesquisadores partiram de Sergipe e foi até o norte da Bahia em Rio Real coletar as plantas de Lippia Gracilis para fazer um estudo caracterizando toda planta  na parte química, física e molecular. “Nós temos um banco de germoplasma todo caracterizado. Já temos toda parte agrícola dessa planta, sabemos o espaçamento, adubação e irrigação. Então se o produzir quiser plantar nós temos tudo e ainda forneceremos as mudas para aquele produtor, disse”. 

Um dos principais resultados da pesquisa é que planta por ser medicinal não existe sazonalidade. De acordo com Elizangela Mércia , a planta não varia a composição química seja na temperatura, no tipo de solo, na chuva ou na água ela não muda. “Na composição química do sol ela é a mesma do primeiro dia do ano ao último”, complementa.

Próximos passos

Segundo a pesquisadora, Elizangela Mércia os próximos passos da pesquisa é levar os produtos para o uso em campo. “Nós já temos desenvolvidos dois produtos, óleo em pó e a emulsão oleosa. Então vamos testar esses dois produtos em campo. Já detectamos que o óleo em pó foi mais eficiente no controle aos carrapatos em bovinos e a emulsão no combate aos fungos, conta”

De acordo com Elizangela, foram feitos outros testes com pragas a mosca negra e o psilídeo da laranja. “Vimos que o óleo também é eficiente para combater pragas, então vamos ampliar e dar continuidade a pesquisa nesses próximos anos no combate aos insetos”, acrescenta.  

Fonte: Fapitec

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