Oftalmologista alerta sobre riscos de se consultar com optometrista
Cotidiano 07/05/2015 16h30

Por Fernanda Araujo

O Dia do Oftalmologista, 7 de maio, é destinado à conscientização quanto á importância de se prevenir de doenças oculares e também para falar sobre os riscos aos pacientes do exercício ilegal da profissão por um optometrista. A dúvida mais comum consiste em confundir o oftalmologista e o optometrista - profissões que, apesar das semelhanças, são muito diferentes em seu propósito e atuação.

Segundo o Conselho Brasileiro de Optometria (CBOO), a optometria trabalha fora do “órgão globo ocular”, focado no sentido da visão, corrigindo miopias, hipermetropias, astigmatismos, visão “de perto” e aplica exercícios para corrigir defeitos da visão. Não trata ou cura o “órgão globo ocular” (competência da medicina), não faz diagnósticos de doenças, não receita medicamentos. Enquanto um oftalmologista diagnóstica, trata, corrige e atua sobre as várias condições do olho sempre que necessário.

No entanto, para a oftalmologista Viviane Cardoso, do Hospital de Olhos de Sergipe, em Aracaju , os optometristas, na realidade, são pessoas que, geralmente, as óticas contratam com o intuito de prescrever receita de óculos e vendê-los, com o objetivo meramente capitalista. “Esses profissionais não são médicos, não têm conhecimento suficiente para saber orientar o paciente. Então, muitas vezes, os pacientes (acompanhados somente por optometrista) chegam aqui já com glaucoma avançado, com risco de cegueira, pacientes diabéticos descontrolados que nunca fizeram mapeamento de retina, cegueira que poderia ser prevenida apenas com consulta adequada feita por um profissional especializado”, afirma.

Segundo a médica, a prática é ilegal e está sendo combatida pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia, em Brasília, para não legalizar a profissão pelos riscos causados à saúde da visão e para que esses profissionais não atuem. “Acontece principalmente no interior do estado, mas também nas ruas do centro da capital. Vemos óticas menores com placas ‘Faça a sua receita de ótica aqui’. Os pacientes acham que estão pagando mais barato, mas o preço no final das contas sai caro”, avalia.

“A gente recebe vários casos desse tipo. Há pouco tempo recebi uma paciente diabética, de 45 anos, tinha a doença há 15 anos e sempre fazia óculos numa mesma ótica, chegou a um ponto que ela não conseguia mais enxergar direito mesmo com os óculos que eles vendiam. A paciente está com retinopatia diabética avançada. A gente perdeu a oportunidade de tratar esse paciente precocemente. As pessoas acabam se conscientizando tarde demais”, lamenta.

A oftalmologista ainda alerta o que pode acontecer se a prática não for combatida. “Temos muito medo de que se torne legal no país e o índice de cegueira aumente, sendo que essas pessoas não têm condições de clinicar, que tratam inadequadamente os pacientes”, diz.

A recomendação é que o paciente que não sofre de doenças oftalmológicas vá ao oftalmologista, pelo menos, uma vez ao ano.  Lembrando que crianças devem fazer o ‘teste do olhinho’ para prevenir má formação ou catarata congênita, que feito na infância é capaz de reabilitar e melhorar a visão para a vida adulta. O olho da criança se desenvolve até os 7 e 8 anos, aproximadamente. “Qualquer problema que apareça, se não tratado antes disso, corre-se o risco de não conseguir enxergar depois”, complementa a médica.

Foto: Fernanda Araujo/F5 News

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